jul 26 2017

CEO diz que Lala é "muito cuidadosa" em aquisições


O diretor presidente da mexicana Lala Foods, Scot Rank, disse ontem, em teleconferência com analistas, que ao avaliar uma eventual aquisição a empresa de lácteos considera o risco do negócio, a capacidade de operá-lo de forma bem-sucedida e o valuation do ativo. A Lala, maior empresa de lácteos do México, negocia a aquisição da brasileira Vigor, controlada pela J&F, por R$ 6 bilhões, mas Rank não fez comentários sobre o assunto na teleconferência para divulgar os resultados da companhia no segundo trimestre deste ano.

Sem citar a Vigor, Rank disse "não ter informação relevante neste momento sobre qualquer possível aquisição ou aliança estratégica" pela Lala, referindo-se a notícias publicadas nos últimos dias tanto em jornais do Brasil quanto no México. Mas afirmou que "a Lala está constantemente analisando oportunidades de aquisição para expandir os negócios nas Américas". A empresa, que tem ações na bolsa mexicana, afirma ter como uma de suas prioridades as fusões e aquisições e alianças estratégicas.

Questionado por uma analista sobre o que a Lala considera para fazer uma aquisição, o CEO da empresa citou o valuation, "que é a combinação do fluxo de caixa descontado e múltiplos, e coisas dessa natureza". Destacou ainda que a Lala é "muito cuidadosa" em relação aos riscos de eventuais negócios. "Temos de ter certeza que todo risco está considerado em qualquer avaliação, olhamos para diferentes variáveis", acrescentou.

Além disso, afirmou, que é preciso ter em conta a habilidade para operar o negócio de forma bem-sucedida, e se a operação complementa as capacidades da empresa.

A cautela da Lala - fator com potencial para alongar as negociações com a Vigor - pode ser uma preocupação para a J&F, que tem pressa para fechar a transação. A holding viu secar o crédito após a delação dos controladores Wesley e Joesley Batista.

Indagado por outro analista sobre como financiariam uma possível aquisição, Alberto Arellano García, CFO da Lala, disse que todas as opções estão na mesa, inclusive a emissão de ações. E estimou que a Lala poderia assumir dívidas de até 2,5 ou 3 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 12 meses para uma eventual aquisição. No ano passado, o Ebitda da companhia foi de US$ 357,3 milhões.

No segundo trimestre deste ano, a Lala registrou um faturamento líquido de US$ 806 milhões, 16% acima de igual intervalo de 2016. O resultado líquido no período foi de US$ 61,9 milhões, 4,3% mais que no mesmo trimestre do ano passado. Em todo o ano passado, a empresa teve uma receita líquida de quase U$ 2,9 bilhões. A Lala registrava em 30 de junho deste ano uma dívida líquida de US$ 5,2 milhões.

Além do México, a Lala tem operações nos Estados Unidos e na América Central. Para a América do Norte, segundo a companhia, a estratégia são produtos de valor agregado e de nicho. Para o "resto das Américas", de acordo com Scot Rank, a empresa busca "operações significativas" que permitam entrar num mercado com uma base industrial sólida, que complementem seus negócios com novas categorias ou alianças estratégicas que criem economia de escala.