jul 3 2017

Carne brasileira: restrições em 51 países e UE


Mais de três meses após a Polícia Federal iniciar a Operação Carne Fraca, ao menos 51 países, além da União Europeia (UE), ainda mantêm restrições à importação da carne brasileira, conforme levantamento feito pelo Ministério da Agricultura a pedido de “O Globo”. Nove países bloqueiam totalmente as importações.

A lista também mostra que 42 países e a União Europeia (UE) ainda restringem a entrada dos produtos brasileiros. São casos de suspensão parcial na compra de carnes e reforço nas inspeções antes de as mercadorias serem vendidas para os consumidores.

Segundo o levantamento, outros 20 países aceitaram as medidas anunciadas pelo Brasil e abriram seus mercados.

Com a credibilidade arranhada por sucessivas crises desde o início da operação — que investiga
supostas fraudes na liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos —, o principal foco
dos problemas está no mercado de carne bovina. Empresas exportadoras e pecuaristas tentam
reconquistar a confiança dos compradores internacionais. Enquanto isso, as metas de expansão
da participação brasileira no setor ficam em suspenso. O Brasil pretendia chegar a 10% de
participação mundial do mercado de carnes (hoje, esse número é 7%) e buscava alcançar e
ampliar a presença principalmente nos mercados de Japão, México e Coreia do Sul. Agora, o país
administra crises, trabalha para reconstruir sua credibilidade e não perder compradores.
“A expectativa de ampliar a participação vai para o saco, porque é muito difícil exportar a mesma
coisa que foi no ano passado”, disse o analista da MB Agro Cesar de Castro.

Brasil x EUA

O reflexo da crise nas exportações de carnes bovinas pode ser visto nos dados da balança
comercial, divulgados pelo Ministério da Indústria e Comércio Exterior. De janeiro e maio deste
ano, o Brasil exportou US$ 1,75 bilhão em carne bovina congelada, fresca ou refrigerada, queda
de 4,6% ante o mesmo período de 2016. O recuo é ainda maior no volume total exportado: 10% a
menos que em 2016, no acumulado do ano. O balanço de junho deve ser divulgado na próxima
semana.

Mercados importantes como Rússia e China reforçaram as inspeções de produtos brasileiros. E,
após passar a checar todos os carregamentos saídos do Brasil, os EUA identificaram
“inconformidades sanitárias” em 11% dos produtos, segundo a Secretaria de Agricultura
americana, o que levou à suspensão da compra da carne in natura brasileira.

Para tentar convencer os americanos a voltarem a comprar carne fresca brasileira, o Ministério da
Agricultura, Blairo Maggi, enviou às autoridades dos EUA uma nota técnica com informações
sobre o sistema de inspeção brasileiro e relatando as medidas adotadas para resolver o problema
apontado pelos compradores.

Maggi disse, na sexta, que o Brasil vetou a entrada de lotes de carne dos EUA. De 32 contêineres
de carne fresca e miúdos, 20 foram devolvidos por motivos de rotulagem, rastreabilidade e
certificação, explicou. O embargo seria anterior à suspensão da compra pelos americanos.
“Significa que 62,5% do exportado pelos EUA para o Brasil tiveram que retornar àquele país.
Vejam que, antes do comércio, vêm a segurança e proteção dos consumidores em ambos os
países”, afirmou, acrescentando que os dois mercados precisam aprender a lidar entre si.
Uma missão europeia também mostrou preocupação com o controle sanitário no Brasil. Em
relatório divulgado também na sexta, o Ministério da Agricultura informa que análises em
frigoríficos não encontraram em aves os dois tipos de salmonelas que podem afetar a saúde
pública. O documento diz que houve reforço no controle sanitário. Segundo o ministério, serão
contratados emergencialmente, em até 60 dias, 300 veterinários, que atuarão com auditores
fiscais federais agropecuários nos frigoríficos. A Pasta também pediu ao Planejamento um
concurso de mil fiscais para suprir a demanda dos próximos dez anos.

A crise do setor aumentou após a delação dos executivos da JBS, maior exportadora de carne
bovina do Brasil. A empresa reduziu os abates e, sem a possibilidade de os animais serem
comprados na mesma proporção por outros frigoríficos, os pecuaristas viram os preços do boi
desabarem.

“É o pior momento para a pecuária”, disse o vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro Camargo Neto.

Fonte: Pecuária.com.br