set 13 2021

Melhoramento genético: como a gestão digital impacta a reprodução?


De 1990 a 2020, a produtividade na pecuária de corte aumentou 159%, como aponta o relatório Beef Report 2021, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). Apesar da produção de bovinos continuar atrás da avicultura e suinocultura em termos de tecnologias, pecuaristas têm buscado na pecuária de precisão e em ferramentas produtivas a permanência e crescimento da atividade.

Dentre as práticas que contribuem efetivamente para esse aumento de produtividade, está o melhoramento genético. Visto por muitos produtores como um “bicho de sete cabeças”, essa prática estratégica não é tão complicada como parece; e todo e qualquer pecuarista pode utilizá-la em sua fazenda, desde que haja uma gestão bem aplicada.

É o que acontece na Fazenda Santa Encarnação, propriedade do Grupo Perez localizada em Mato Grosso do Sul. Quem nos relata é Tiago Arriero Rodrigues, gerente que atua na fazenda desde 2011. Por lá, todas as ações são voltadas para a atividade de cria. Os bezerros produzidos, como explica Tiago, são vendidos ao desmame com 8 meses de idade e um peso médio de 215 Kg.

Com foco em produtividade, a Fazenda Santa Encarnação passou a integrar o programa de melhoramento genético da DeltaGen em 2017. Contudo, os conceitos de melhoramento e os protocolos de IATF são realizados na propriedade desde 2006, exemplo de que não é necessário integrar um programa para dar os primeiros passos.

“Temos alcançado grandes avanços em precocidade sexual, por exemplo. Não precisamos mais recriar novilhas por dois anos para expô-las em monta; isso já é feito quando elas atingem 14, 16 meses, um encurtamento significativo do ciclo de produção”, explica Tiago.

“Arroz com feijão bem feito”

É assim que Tiago define o trabalho com melhoramento genético. O segredo do sucesso dessa prática está em planejar bem as ações da fazenda; acompanhar a execução do planejamento; corrigir cenários, caso necessário; e registrar todas as informações em um sistema de gestão. Diferente das planilhas, o sistema garante maior confiabilidade de dados, segurança e redução de erros ao longo do processo.

Para se ter uma ideia, desde que a fazenda começou a cadastrar as informações no sistema de gestão iRancho, há dois anos, a margem de erro nos registros caiu de 5% para 2%, segundo Tiago. A expectativa, com a finalização da identificação eletrônica dos animais, é levar essa taxa a quase zero.

Gestão precisa e sem complicação

Com um rebanho médio de 4.750 animais e uma produção anual de 2 mil bezerros, entre machos e fêmeas, a gestão desses bovinos é toda realizada no iRancho. A ferramenta foi adotada com a finalidade de gerenciar melhor esses animais, visto as limitações e inviabilidades das planilhas e blocos de anotações que não permitem, por exemplo, consultar o histórico reprodutivo da fazenda.

“Um bom melhoramento está em cima de um bom banco de dados. Se o seu banco de dados não for convincente e estruturado, você terá problemas.”

Inclusive, esse foi um dos problemas resolvidos com a adoção do sistema, que garante mais consistência na realização dos protocolos reprodutivos. “Todos os manejos são feitos no iRancho, como alterações de piquetes, pesagens, formação dos lotes, controle de animais, protocolos de IATF, conferências de relatórios reprodutivos…”, aponta o gerente.

Ainda segundo Tiago, a última safra de desmama foi toda controlada e avaliada a partir dos registros no iRancho. Para ele, realizar o controle do melhoramento genético no sistema e contar com as funcionalidades que estão em constante evolução, permitem a prática de uma gestão voltada para resultados, onde o objetivo é aumentar a produtividade e o retorno financeiro.

O iRancho é para todos

Assim como os conceitos de melhoramento genético podem ser praticados por todos os pecuaristas, independentemente de um programa de melhoramento, uma gestão tecnológica e completa como a do sistema iRancho também é para todos, mesmo que a sua produção seja pequena.

A grande questão, como explica Tiago, é contar com informações corretas e confiáveis, seja para realizar melhoramento genético ou qualquer outra atividade na fazenda. “Um bom melhoramento está em cima de um bom banco de dados. Se o seu banco de dados não for convincente e estruturado, você terá problemas”, conclui.