ago 11 2021

América do Norte deve continuar a puxar resultados da Marfrig


No que depender das operações na América do Norte, os tempos de vacas gordas da Marfrig ainda deverão se prolongar até pelo menos o ano que vem, conforme afirmaram executivos da empresa brasileira em teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre, na manhã de hoje. Na América do Sul o cenário é menos promissor, mas problemas logísticos que afetaram as exportações entre abril e junho estão sendo superados e o custo do gado tende a diminuir com o aumento da oferta.

No início da noite de ontem, a Marfrig informou que encerrou o segundo trimestre com resultado trimestral recorde. O lucro líquido consolidado no período somou R$ 1,7 bilhão, 9% mais que entre abril e junho de 2020, enquanto a receita líquida aumentou 9%, para R$ 20,6 bilhões. Pressionado por condições adversas no mercado sul-americano, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 3,6%, para R$ 3,9 bilhões (margem Ebitda de 19,1%), ao passo que o fluxo de caixa livre diminuiu 31,4%, para R$ 2,2 bilhões. Mas, mesmo em queda, esses indicadores continuaram em patamares considerados elevados.

“Foi um desempenho histórico. Obtivemos Ebitda recorde na América do Norte e conseguimos manter a rentabilidade na América do Sul”, comemorou Marcos Molina, fundador e presidente do conselho da Marfrig. “Reduzimos o custo da dívida e a alavancagem caiu para apenas 1,45 vez. Nossos gastos com juros em dólar também diminuíram para níveis historicamente baixos“, afirmou.

Diante dos resultados do segundo trimestre, Molina confirmou a proposta de adiantar dividendos de R$ 958,4 milhões, como informou em primeira mão o Pipeline, site de negócio do Valor. Trata-se de um yeld de cerca de 7%, garantido pelas operações norte-americanas lideradas pela National Beef.

Na América do Norte, o segundo trimestre foi particularmente positivo para a Marfrig. A receita líquida na região cresceu 10,1%, para US$ 2,9 bilhões (89% do total foi obtido no mercado doméstico), o Ebitda registrou incremento de 13,8%, para US$ 722 milhões, e a margem Ebitda atingiu expressivos 24,5%, 80 pontos a mais que em igual intervalo de 2020.
“Alcançamos do trimestre o maior volume de vendas trimestrais desde 2012”, afirmou Tim Klein, CEO da National Beef, na teleconferência. Em resposta a um analista, o executivo admitiu que o custo do gado já subiu nos EUA mais de 10% desde o ano passado, mas disse que a oferta continua “adequada” e que a demanda está aquecida, o que sinaliza que as margens vão continuar favoráveis.

Custo elevado

Já na América do Sul, a realidade é outra. Na região, a receita subiu de abril a junho — 14,1%, para R$ 5 bilhões —, mas o Ebitda desabou (queda de 70,5%, para R$ 181 milhões) e a margem Ebitda caiu 10,3%, para 3,6%.

Segundo Miguel Gularte, CEO da Marfrig, a alta do custo do gado continuou a dar o tom no Brasil e na Argentina, embora no Uruguai o cenário tenha melhorado. O executivo disse que a oferta no mercado brasileiro deve melhorar nos próximos meses com a saída de animais de confinamentos, e que o dólar acima de R$ 5 é um estímulo para o pecuarista vender.

Embora os embarques a partir do Brasil tenham recuado No segundo trimestre, as exportações representaram 58% da receita da Marfrig na América do Sul no período e continuarão oferecendo suporte aos resultados da companhia na região nos próximos meses. E o foco nessa frente, continua a ser China.

Demanda da China

“A demanda chinesa e a firmeza dos preços são questões estruturais, não mais conjunturais e passageiras”, afirmou Gularte. Na teleconferência, não houve novidade relacionadas à aquisição da participação de 31,6% da BRF pela Marfrig, e os executivos liderados por Marcos Molina destacaram que continuam em andamento os investimentos e programas da companhia relacionados à sustentabilidade de sua cadeia de fornecimento.

No front financeiro, também foi destacado por Tang David, vice-presidente de finanças e relações com investidores da Marfrig, o baixo custo da recente emissão de R$ 1,2 bilhão em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), além de uma queda de quase 80% das despesas financeiras da companhia no segundo trimestre. A Marfrig também lembrou, finalmente, que foi aprovado um plano de recompra de até 26,3 milhões de ações ordinárias, nominativas, escriturais e sem valor nominal de emissão da companhia.

Valor Econômico