ago 9 2021

Brasil pode assumir liderança do mercado mundial de genética animal, aponta TCP


Maior exportador mundial de carne bovina e segundo maior produtor, atrás apenas dos EUA, o Brasil pode assumir a liderança também no mercado global de genética animal nos próximos dez anos.

É o que aponta um estudo setorial feito pela equipe econômica da boutique de investimentos TCP Partners e que traça as perspectivas para o segmento de genética e nutrição animal nos próximos seis anos.

A partir de dados de mercado e das principais empresas do ramo, a TCP projeta um crescimento de 6,6% ao ano do mercado global de genética e nutrição animal e aponta o Brasil como país que “mais apresentará oportunidades” nesse período, com uma taxa de expansão de 10% ao ano.

De acordo com o sócio e economista-chefe da empresa de investimentos, Ricardo Jacomassi, é crescente a procura de investidores por informações sobre o mercado, que deve passar por um processo de consolidação via fusões e aquisições nos próximos dez anos.

“Temos recebido demanda de investidores para entender esse mercado e para ver quais seriam as empresas que eles poderiam investir para criar uma empresa nacional e até eventualmente levar em bolsa”, conta Jacomassi ao apostar num potencial IPO já nos próximos cinco ou seis anos. “A tendência, não tenha dúvidas, é o setor passar por uma consolidação de empresas, com novos investidores entrando no mercado.”

Atualmente, o Brasil conta com uma participação de 12% no mercado mundial de genética animal, mas a avaliação da TCP é de que o crescimento da produção nacional de carne bovina, suína e de aves impulsione o crescimento do setor no país, com o desenvolvimento de genéticas locais.

“Hoje boa parte do desenvolvimento genético é realizado em países da Europa e nos EUA e são adaptados ao Brasil num processo que chamamos de tropicalização. Mas o que estamos vendo é que já começa a ocorrer o caminho inverso”, explica o economista ao ressaltar que o Brasil deve assumir a liderança mundial e também se tornar referência nesse segmento. “Com tecnologia privada e grandes empresas atuando no setor, o Brasil vai ganhar uma participação relevante no desenvolvimento internacional de genética”, pontua Jacomassi.

Segundo números da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), as exportações brasileiras de sêmen bovino cresceram 5% em 2020, atingindo 508.096 doses. Já no primeiro semestre de 2021, os números da Asbia apontam um crescimento de quase 100% nas vendas internacionais do setor, puxada pela demanda de países da América Latina, África e Ásia.

“As empresas são, sim, em grande parte multinacionais, mas 40% do sêmen vendido é de genética nacional”, explica o presidente da Asbia, Márcio Nery.

Na avaliação de Nery, o Brasil entrou num “círculo virtuoso” quando o assunto é desenvolvimento genético, aumentando a visibilidade do país no mercado internacional devido à rusticidade dos animais e adaptação a regiões de clima tropical.

“Eu fico imaginando quando o mercado da África tropical se expandir. Porque hoje não existe uma produção econômica de leite e de carne na África, mas isso vai acontecer porque todo mundo fala e entende que a África será a próxima fronteira agrícola e o Brasil vai ser a decisão genética lógica para uma pecuária eficiente na África e daí vai crescer muito a demanda”, conclui o presidente da Asbia.

Globo Rural