fev 9 2021

Boi se mantém nas alturas porque não há quase nada de lotes prontos para o pecuarista vender


Embora as escalas de abate das indústrias continuem bastante curtas, a ordem agora é não sair comprando boiada, pois o escoamento da carne bovina no mercado interno segue bastante fraco, enquanto as exportações perderam um pouco de força neste início de fevereiro.

Segundo apurou nesta terça-feira (9/2) a Scot Consultoria, na praça paulista, o valor do boi gordo se manteve estável, na casa dos R$ 300/@, a prazo, com ágio de mais R$ 5/@ no caso de animais padrão China (mais jovens, com até 30 meses de idade). O boi se mantém nas alturas porque não há quase nada de lotes prontos para vender, devido ao atraso das chuvas nesta temporada, o que retardou a recuperação das pastagens.

“Parece claro que boa parte dos frigoríficos teme uma queda acentuada no consumo interno de carne bovina, principalmente em função dos impactos econômicos gerados pela pandemia de Covid-19 (taxa de desemprego elevada, menor poder de aquisitivo da população, retirada do auxílio emergencial, além de incertezas sobre as políticas de distanciamento social), observa a IHS Markit.

Neste contexto, as indicações de compra de boiadas gordas já não mostram um comportamento majoritariamente altista entre as praças pecuárias brasileiras, acrescenta a consultoria. Assim, sem muito espaço para novas altas, os preços da arroba estacionaram em grande parte das regiões do Brasil.

“É fato que a maior parte dos frigoríficos continua encontrando dificuldade para fechar as suas programações de abates diante de um quadro persistente de restrição de oferta de animais terminados. Porém, o foco da indústria ainda é adequar a produção à demanda vigente, o que explica a redução de interesse pela compra de gado”, observa a IHS.

Giro pelas praças

Entre as praças da região Norte, boa parte das unidades de abate conseguiu alongar as suas escalas, informa a IHS Markit. No Pará, as indústrias já estão trabalhando para preencher escalas de abate para semana do dia 22 de fevereiro – assim, em algumas praças do Estado, os preços do boi gordo registraram leves baixas nesta terça-feira.

Em Rondônia, apesar de escalas prontas até o final desta semana, muitas indústrias não irão abater no começo da próxima, conseguindo realocar as suas programações e diminuir a procura local por boiadas, relata a IHS.

No Tocantins, o preço do boi terminado segue firme, com nova alta na região Sul do Estado, devido à oferta restrita e necessidade de compra das indústrias locais.

Entre as praças pecuárias do Centro-Sul do Brasil, os preços da arroba bovina seguem estáveis na maioria das localidades. Em Minas Gerais, indústrias conseguiram estender as suas escalas de abate com a chegada de bons volumes de animais de pasto oriundo do Norte do Estado. No Paraná e Goiás, a saída dos frigoríficos das compras abriu espaço para leves quedas na arroba.

Preços da carne seguem estáveis e exportações são mais fracas

Nesta terça-feira, o mercado atacadista não apresentou novidades, visto que o fluxo de comercialização evolui de forma regular, o suficiente para garantir suporte a manutenção dos preços dos principais cortes bovinos, informa a IHS.

Já em relação as vendas externas de carne bovina, na primeira semana de fevereiro (5 dias uteis), o Brasil registrou embarques de 23,55 mil toneladas do produto in natura, resultando numa média diária de 4,71 mil toneladas/dia, volume 12,12% inferior ao computado em janeiro/21, e recuo de 23,32% quando comparado ao resultado registrado no mesmo período no ano passado (6,14 mil toneladas/dia), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Caso o desempenho diário se mantenha como o observado neste início de mês, é possível que sejam enviadas menos de 100 mil toneladas até o final deste mês, prevê a consultoria Agrifatto. Em função das comemorações do Ano Novo Lunar, a China segue ausentes das compras no Brasil e só deverá retornar no próximo mês de março, observa a IHS Markit.

A receita se manteve praticamente estável, alcançando um valor total no período de US$ 106,56 milhões. O preço pago pela tonelada na primeira semana de fevereiro foi de US$ 4,52 mil/t, um pequeno reajuste positivo de 0,31% quando comparado ao mês anterior e um avanço de 2,17% sobre o valor de fevereiro/20.

MT registra queda nos embarques de janeiro

Em janeiro último, o Mato Grosso exportou um total de 31,98 mil toneladas em equivalente por carcaça (TEC) de carne bovina, o menor patamar mensal observado desde junho de 2019, informa nesta terça-feira (9/2) o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Após apresentar níveis recordes em 2020, os embarques da proteína vermelha no Estado recuaram 23,94% em janeiro último no comparativo com dezembro/20, e queda de 3,31% sobre o resultado de janeiro do ano passado (de 33,08 mil tec).

Essa retração nas exportações do Mato Grosso deveu-se, principalmente, às quedas sazonais já esperadas das vendas para a China (-28,16%), uma vez que o país tende a reduzir suas importações no início do ano pela proximidade do ano novo chinês, já que seus estoques são garantidos com antecedência”, relata o Imea.

Ainda segundo o instituto, em janeiro, os países do Oriente Médio, que historicamente também tendem a comprar menos carne nesse período do ano, reduziram em 17,13% as suas compras do Brasil. Em termos percentuais, a Rússia foi o parceiro comercial que apresentou o maior decréscimo nas compras da carne bovina do Mato Grosso, de -43,2% no comparativo anual.

Reposição nas alturas no MT

No Mato Grosso, o cenário de baixa oferta e demanda aquecida continuou ditando os preços dos animais de reposição em 2021, uma vez que em janeiro, o bezerro de ano (12 meses) ficou cotado na média de R$ 2.548,70/cabeça, um acréscimo de +1,9% sobre o valor de dezembro de 2020 e um aumento de 61,2% no comparativo com o valor médio de janeiro do ano passado, de R$ 1.580,52/cab., informa o Imea.

Outros animais de reposição, como o garrote, boi magro e novilha, apresentaram altas no comparativo anual de 44,92%, 42,67% e 68,97%, respectivamente. “Desse modo, dada a atual conjuntura do mercado (aliado ao ciclo pecuário – fase de alta nas cotações), para o médio prazo, a tendência é de que essas categorias continuem apresentando alta nos preços”, preveem os analistas do Imea.

Cotações desta terça-feira (9/2), segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 301/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 290/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)

MS-C. Grande:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 275/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 289/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 290/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 289/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 287/@ (prazo)
vaca a R$ 277/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 291/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 281/@ (à vista)
vaca a R$ 273/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca R$ 281/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 290/@ (à vista)
vaca a R$ 274/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 297/@ (prazo)
vaca a R$ 279/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 282/@ (à vista)
vaca a R$ 270/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 282/@ (à vista)
vaca a R$ 270/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 276@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 274/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 279/@ (à vista)
vaca a R$ 268/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 273/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 271/@ (à vista)

vaca a R$ 256/@ (à vista)

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