jan 29 2021

Grande parte dos frigoríficos trabalha na ociosidade, porque não tem boi


Nesta última semana de janeiro, o mercado físico do boi gordo ainda encontrou suporte para o movimento de alta nos preços, relata a IHS Markit. O avanço na arroba é explicado, sobretudo, pela dificuldade enfrentada pelos frigoríficos em compor suas escalas de abate, decorrente da oferta extremamente enxuta de animais terminados.

Segundo a consultoria, a indústria ainda sofre com a dificuldade de repasse dos custos operacionais das unidades de abate aos preços da carne bovina, situação que tem desgastado as margens dos frigoríficos e feito boa parte dos compradores de gado se ausentar gradualmente dos negócios.

Grande parte das unidades frigoríficas espalhadas pelo País está operando com capacidade ociosa elevada, justamente pela baixa disponibilidade de animais terminados. Há relatos de plantas indústrias que foram paralisadas para evitar operar com margem negativa. “As vendas no varejo estão fracas, e os preços das carnes concorrentes cederam e isso vem impactando o mercado da carne bovina”, relata a IHS.

Em relação a ponta vendedora, os pecuaristas não dispõem de grandes ofertas de gado para venda, visto que os poucos lotes remanescentes são resquícios de confinamento. Em relação ao gado de pasto, alguns alegam a necessidade de terminação, pois ainda não estão com o peso ideal para abater. Alguns outros produtores, relata a IHS Markit, se aventuram em fazer a terminação no cocho com maior suplementação (semiconfinamento) e pedem melhores condições de pagamento aos frigoríficos devido aos altos custos de engorda com a nutrição (resultado da disparada nos preços dos principais insumos, como milho e farelo de soja).

Com a maior incidência de chuvas durante janeiro e previsão de manutenção desse quadro de umidade para fevereiro, a oferta de animais de safra tende a ser mais consistente a partir de março, avalia a IHS Markit. Até lá, o mercado vai ter que lidar com a forte restrição de oferta de boiadas. Neste contexto, observam os analistas, as indústrias trabalham com a possibilidade de cadenciar ainda mais as suas compras de gado, na tentativa de neutralizar a trajetória de alta.

Incertezas no atacado

No mercado atacadista, os preços dos principais cortes bovinos não chegaram a ceder durante a última semana, sobretudo com a expectativa de retomada das vendas com a chegada da virada de mês (período de pagamento dos salários aos trabalhadores). No entanto, o cenário traz incertezas, visto que o consumidor final tem a opção de outras proteínas (aves e suínos) a preços mais condizentes ao poder de compra para época do mês, informa a IHS.

No front externo, o fluxo das exportações de carne bovina in natura no acumulado das três primeiras semanas de janeiro (15 dias uteis) foi de 5,67 mil ton./ dia, um desempenho 6,7% superior à média de janeiro de 2020, mas com uma retração de 12,5% frente ao mês anterior, efeito de ajuste às demandas internacionais, sobretudo por parte do mercado chinês, destaca a IHS.

Movimento na sexta-feira

Nesta sexta-feira, as indústrias frigoríficas passaram adotam uma posição ainda mais cautelosa nas compras de boiadas, aguardando a próxima semana para analisar os possíveis impactos do início mês de fevereiro no consumo interno e, assim, definir qual estratégia mais adequada a se adotar.

Por enquanto, diz a IHS, grande parte das unidades de abate está limitando as suas aquisições ao mínimo necessário, insistindo em tentar brecar a especulação altistas. “Como oferta de animais prontos para abater continua restrita em todo o País, há dificuldade em estender as escalas de abate para mais de quatro dias úteis, mesmo com a diminuição do volume de abates diários”, relata a IHS.

Giro pelas praças

Entre as praças pecuárias, novidades apenas em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em SP e MT, os poucos negócios efetivados nesta sexta-feira envolveram fêmeas, já que os preços da categoria possibilitam uma maior relação custo/benefício frente as desgastadas margens das indústrias, informa IHS.

No Mato Grosso do Sul, os preços subiram nesta sexta-feira com intuito de alongar as apertadas escalas de abate locais. Apesar das altas, as programações de abate atendem entre dois a três dias uteis, relata a consultoria. Nesse Estado, além da oferta restrita, o mercado está praticamente paralisado, com os agentes aguardando o início do próximo mês para se posicionar nas negociações.

Cotações desta sexta-feira (29/1), segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 286/@ (à vista)
vaca a R$ 271/@ (à vista)

MS-C. Grande:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 287/@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 278/@ (prazo)
vaca a R$ 268@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 2789/@ (prazo)
vaca a R$ 269/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 284/@ (à vista)
vaca a R$ 273/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 266/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca R$ 273/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 290/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 286/@ (à vista)
vaca a R$ 271/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 295/@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 276/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 272/@ (à vista)
vaca a R$ 260/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 272/@ (à vista)
vaca a R$ 260/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 274/@ (prazo)
vaca a R$ 270/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 275@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 273/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 281/@ (prazo)
vaca a R$ 271/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 278/@ (à vista)
vaca a R$ 268/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 273/@ (à vista)
vaca a R$ 262/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 276/@ (prazo)
vaca a R$ 263/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 271/@ (à vista)

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