jan 26 2021

Tereza Cristina diz que Macron “falou bobagem” em comentários sobre soja


A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou hoje que o presidente da França, Emmanuel Macron, “falou bobagem” sobre sua própria agricultura ao dizer que os produtores franceses seriam capazes de produzir soja em escala para suprir as importações da oleaginosa brasileira. Ela repetiu que existe uma campanha contra o agronegócio do Brasil na Europa por medo da competência e vocação produtiva do país.

“O Macron, com com aquela fala, não ajudou em nada e falou bobagem sobre a sua agricultura, que não é capaz, pela área e extensão, de suprir a soja que importa do Brasil”, afirmou em entrevista à Rádio Bandeirantes. Caso a França deixe de comprar a soja brasileira, continuou a ministra, o mercado vai se acomodar. “Vamos vender mais para outros países”.

Tereza Cristina concordou que os números do desmatamento aumentaram e que é necessário corrigir erros internos. Ela criticou, porém, a “campanha” contra o agro brasileiro na Europa e os brasileiros que tentam “denegrir” o setor.

“Infelizmente, existe sim uma campanha contra o agro brasileiro na Europa, e o Macron é quem mais reverbera isso. Existe um medo da competência do Brasil e da nossa vocação. Todo esse tipo de desinformação acontece não só na França”, afirmou.

Segundo ela, é preciso estar “preparado para rebater a desinformação e mentiras que contam sobre o Brasil”. Tereza Cristina disse ainda que esse tipo de declaração é desnecessária e que o país está pronto para dialogar, com base em dados, para tirar dúvidas sobre a sustentabilidade da produção agropecuária.

Na entrevista, a ministra afirmou que o desafio dela à frente da Pasta é ampliar a produção de grãos, especialmente do milho. Essa necessidade cresce com a entrada da China no mercado comprador do cereal - os chineses estão recompondo seu rebanho após um surto de peste suína africana registrado entre 2018 e 2019 - e o aumento da demanda nacional, além de o produto ter boa rentabilidade.

"Meu desafio é produzir mais milho para a próxima safra de verão. Estimular o plantio de milho, de soja, que já estão (estimulados) pelos preços, de arroz também para o abastecimento interno e para as exportações. O Brasil entrou nesse mercado exportador de arroz", afirmou à Rádio Bandeirantes.

"Temos capacidade para aumentar a produção. É meu mantra desde que entrei no ministério. Temos mercados, somos exportadores confiáveis e temos grande oportunidade de nos firmarmos cada vez mais como grande supridor de alimentos", disse ela.

Depois dos picos do ano passado, os preços do arroz devem se estabilizar em patamar mais elevado, projetou a ministra. "Imagino que teremos uma estabilidade, mas o mundo todo tem interesses nos produtos agrícolas brasileiros. O arroz vai continuar sendo exportado e nosso mercado, suprido".

Valor Econômico