dez 18 2020

Exportações impulsionam pecuária em Minas Gerais


A demanda chinesa elevada por proteína animal e a desvalorização do real frente ao dólar – o que estimulou ainda mais os embarques – foram os principais pontos que marcaram a pecuária mineira em 2020. Com os casos de Peste Suína Africana (PSA), que dizimou cerca de 60% do rebanho, os chineses foram para o mercado e o Brasil e Minas Gerais aproveitaram a oportunidade para exportar mais. O resultado no Estado foi o aumento nos preços pagos aos produtores e a valorização das carnes.

Apesar dos preços recebidos estarem maiores, os custos de produção também foram alavancados pela desvalorização do real, o que exigiu do produtor rural uma gestão eficiente das propriedades. Os preços da soja e do milho, importantes insumos da alimentação animal, praticamente dobraram, estimulados pela demanda externa e interna.

De acordo com os dados do Sistema da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg/Senai/Inaes/Sindicatos), no acumulado de 2020, o valor médio da arroba do boi gordo pago ao produtor foi de R$ 241,53, aumento de 22,2% frente ao praticado em igual período do ano passado.

Um dos fatores que explica a valorização é a oferta enxuta de animais acabados e a elevação dos custos de produção, inclusive a valorização dos animais de reposição. Entre janeiro a outubro, as exportações mineiras de carne bovina tiveram incremento de 4,4% em volume, somando 154 mil toneladas, e alta de 1,1% em valor, com a receita chegando a US$ 643 milhões.

“Agora no final do ano, os preços do boi gordo mostram sinais de queda. Os frigoríficos estão com bons estoques e o preço atingiu o teto máximo no mercado consumidor. É uma situação de alerta para o pecuarista, que continua trabalhando com custos elevados”, disse o analista de Agronegócio do Sistema Faemg, Wallisson Lara Fonseca.

Suínos – Na suinocultura, a média do quilo do suíno pago ao produtor em 2020 foi de R$ 7,37 por quilo, um avanço de 21% quando comparado com o ano anterior. No acumulado de janeiro a outubro de 2020, as exportações mineiras de carne suína somaram 18,2 mil toneladas, gerando a receita de US$ 34,3 milhões, acréscimo de 55,2% em volume e de 77,5% em valor.

“O que explica estes resultados é a avidez dos chineses à carne suína brasileira, que levou a uma forte expansão nas exportações desta proteína”, disse Lara.

Frangos e caprinos – A demanda elevada pela carne de frango, principalmente no mercado interno, em função dos preços mais acessíveis frente às carnes bovina e suína, fez com que 2020 fosse marcado pela recuperação das margens de toda a cadeia produtiva. O preço médio recebido pelo avicultor em 2020 foi de R$ 4,19 por quilo.

Um dos setores que ganhou espaço em 2020 foi a produção de caprinos e ovinos. De acordo com Lara, desde 2014, Minas eliminou o ICMS para saídas de ovinos e caprinos vivos, fomentando o desenvolvimento do setor. No acumulado do ano, foram abatidas 11.539 cabeças de ovinos, incremento de 23% nos abates ante o ano anterior.

Fonte: Diário do Comércio