nov 11 2020

Contenção da emissão de gases entra na agenda de frigoríficos



Sob escrutínio de investidores internacionais preocupados com as mudanças climáticas, as companhias de proteínas animais listadas em bolsa começaram a dar sinais de atenção ao assunto.

Levantamento da FAIRR Initiative, associação que reúne investidores institucionais com cerca de US$ 25 trilhões em ativos sob gestão, mostra que sete de um total de 60 companhias possuem compromisso para redução das emissões de gases do efeito estufa. Ainda é pouco, mas a associação considera que há uma evolução.

Com o intuito de orientar investidores sobre os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), a FAIRR divulga todo ano um ranking com o desempenho das empresas no índice de sustentabilidade desenvolvido pela iniciativa. Das 60 companhias acompanhadas - o que inclui empresas de lácteos, aquicultura e carnes -, apenas três aparecem na lista com baixo risco: Mowi e Bakkafrost, fortes na produção de salmão, e a Maple Leaf, de carnes embaladas.

Entre as empresas de carne bovina, a Marfrig é a mais bem posicionada. A companhia brasileira aparece na quarta posição do ranking. No ano anterior, era a décima colocada. Ao Valor, o diretor de sustentabilidade da empresa, Paulo Pianez, comemorou os resultados. “A empresa já tinha sido a mais bem posicionada da América Latina e agora somos a melhor posicionada em proteína bovina”, ressaltou.

De acordo com Pianez, a Marfrig trabalha para ser a primeira empresa de carnes a ser classificada como de baixo risco no ranking da FAIRR. Para tanto, a companhia trabalha em um programa de redução de emissões de gases de efeitos estufa que inclui o chamado “escopo 3” - a emissão gerada na criação de gado que não pertence à companhia.

Na avaliação do executivo, a meta anunciada pela Marfrig de monitorar 100% dos fornecedores indiretos de gado da Amazônia até 2025 também vai ajudar a reduzir o risco da companhia. Atualmente, o grupo brasileiro já consegue monitorar a origem de 42% do gado abatido desde a origem. Segundo Pianez, esse é o volume considerando basicamente a pecuária de ciclo completo - quando o pecuarista cria do bezerro ao boi gordo.

Entre as empresas brasileiras acompanhadas pelo ranking, a Minerva Foods é a pior colocada. O grupo está na 33ª colocação, com grau de risco alto. Procurado pelo Valor, o diretor de sustentabilidade da Minerva, Taciano Custódio, questionou pontos da metodologia. Segundo ele, não faz sentido reduzir a nota de uma indústria de carne bovina como a Minerva por não ter uma política de rastreabilidade das compras de soja. Diferentemente de mercados como o americano, a criação de bovinos no Brasil é extensiva, e o uso de ração baseada em grãos é a exceção.

Custódio também argumenta que a Minerva vem aprimorando o controle dos fornecedores do Cerrado, que ainda não foi contemplado pelo índice da FAIRR. No segundo semestre deste ano, as compras de bovinos para os abatedouros de José Bonifácio e Barretos, no Estado de São Paulo, passaram a ser monitorada pelo mesmo sistema que acompanha a compra de gado no bioma amazônico e verifica se há irregularidades ambientais. Até o fim do ano, as unidades de Janaúba (MG) e Palmeiras de Goiás (GO), que também compram gado do cerrado, serão incluídos na ferramenta, afirmou ele.



Fonte: Valor Econômico