nov 6 2020

Cotação do leite deve cair em novembro


O aumento expressivo nos preços do leite, ao longo dos últimos meses, contribuiu para uma redução do consumo e, por isso, a tendência agora é de queda dos valores em novembro, referente à produção entregue em outubro. A situação tem deixado o setor produtivo de Minas Gerais cauteloso, uma vez que os custos estão em alta, principalmente os referentes à alimentação do rebanho.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no fechamento de outubro, o preço recebido pelo pecuarista mineiro pelo litro de leite ainda apresentou valorização e chegou a R$ 2,15, valor líquido da produção entregue em setembro. A variação positiva foi de 0,1% frente ao mês anterior.

O analista de Agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallisson Lara Fonseca, explica que a tendência agora é de queda nos preços. O Conselho Paritário entre Produtores de Leite e Indústrias de Laticínios (Conseleite), em Minas Gerais, registrou um movimento de retração de R$ 0,10 no preço do leite padrão em novembro, referente à produção entregue em outubro.

Vale ressaltar que o litro do leite padrão, que serve de base para o produtor calcular o preço que irá receber, deve conter 3,3% de gordura, 3,1% de proteína, 400 mil células somáticas por mililitro, 100 mil unidades formadoras de colônias por mililitro e uma produção individual diária de até 160 litros.

“No levantamento do Conseleite, em outubro, referente à produção entregue em setembro, o produtor recebeu R$ 0,11 a mais, porém, para novembro, a tendência já é de queda de R$ 0,10. Isso tende a acontecer porque tanto o leite quanto os derivados atingiram o pico de preço que o consumidor conseguia pagar. Com isso, houve retração da demanda e, consequentemente, a tendência é de queda dos preços”, destacou Lara.


Ainda segundo ele, o preço referência apurado pelo Conseleite em outubro foi de R$ 1,82 pelo litro, valor que recuou para uma tendência de R$ 1,72 para o pagamento em novembro.

“Todos os produtos lácteos estavam bem valorizados, o que interferiu no consumo. A queda prevista para novembro se deve à redução da demanda principalmente pelo leite UHT, pela muçarela e pelo leite em pó”.

A tendência de desvalorização dos preços também foi percebida na pesquisa do Cepea. Segundo os dados, foi observada retração expressiva nos preços do leite spot (negociado entre indústrias). Na média de outubro, em Minas Gerais, o spot chegou a R$ 2,23 por litro de leite, redução de 16,8% em relação à de setembro.

Ainda segundo os pesquisadores do Cepea, o cenário de valorização visto até outubro não deve se manter nos próximos meses porque as negociações de derivados com os canais de distribuição foram mais difíceis e houve maior pressão para a redução dos preços. Os pesquisadores ressaltam ainda que a valorização intensa de alguns gêneros alimentícios nos últimos meses tem pesado sobre a decisão de consumo das famílias, o que também resulta em maior competição entre redes varejistas para atrair clientes com preços baixos.

Cautela – A preocupação do setor em relação à tendência de queda dos preços recebidos pela negociação do leite é grande. Isso porque a margem de lucro da atividade está bem limitada. Apesar da valorização dos produtos lácteos, os custos também apresentaram alta significativa, puxada pela valorização do dólar e pelo avanço dos preços da soja e do milho, que compõem a ração animal.

Segundo o analista de Agronegócios da Faemg, a saca de soja é comercializada em torno de R$ 178, valor 87% superior ao registrado em 2019. Alta também foi vista no milho, cuja saca passou de R$ 42 em novembro de 2019 para atuais R$ 75, aumento de 77%.

“Os custos estão muito elevados e comprometendo a margem de lucro dos produtores. Nesse momento, a gestão da propriedade é fundamental para que o pecuarista se mantenha na atividade. Como dependemos do mercado interno, já que as exportações de lácteos são pequenas, outro receio do setor é quanto ao auxílio emergencial. Quando for suspenso, pode causar grande impacto na demanda, que veio sendo estimulada pelo pagamento do benefício ao longo dos últimos meses”, explicou.

Fonte: Diário do Comércio