nov 9 2020

CNA pede apoio ao governo para aquisição de insumos para produção de leite


O aumento nos custos de produção e a queda nos preços pagos pela indústria aos produtores de leite levaram a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) a pedir a ajuda da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para que os pecuaristas consigam comprar os insumos da ração animal mais baratos.

Em ofício endereçado à ministra, a CNA relata que o custo da ração concentrada, responsável por 40% do custo do produtor de leite, aumentou muito este ano em função das cotações recorde de milho e farelo de soja. Os preços dos dois insumos em outubro apresentam elevações de 75,2% e 96,6%, respectivamente, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

A expectativa é de manutenção nas altas até o início da colheita da safra 2020/21, em janeiro. Segundo a CNA, apesar de os lácteos terem atingido cotações históricas este ano, o setor ainda não recuperou os prejuízos causados pela pandemia. Desde o início do ano, o preço do leite no campo registra alta acumulada de 55,4%, em termos reais, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), para R$ 2,1319 por litro pagos ao produtor em setembro.

A entidade diz que a margem bruta da atividade foi 29,5% menor no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2019 e que a produção de leite diminuiu 11,7% de janeiro a junho, de acordo com o Cepea e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

"Os Conselhos Paritários de Produtores e Indústrias de Leite (Conseleites) já apontaram tendência de redução de 4,8% no valor do leite produzido em outubro, a ser pago em novembro, e a perspectiva é que essa queda continue até o final do ano", continua o ofício.

A oferta de leite deve aumentar. O Cepa indicou alta de 13% no volume captado no terceiro trimestre ante o segundo e as importações de produtos lácteos aumentaram 78,5% em volume nos meses de agosto e setembro, comparados a igual período de 2019.

O consumo de leite e derivados deve "contrair significativamente", aponta a CNA, devido à "redução do valor do auxilio emergencial e a iminência do encerramento dessa política, além da pressão inflacionária dos alimentos".

Fonte: Milk Point