nov 2 2020

Política desastrosa para setor faz produtor rural diminuir apoio a Trum


O meio rural será importante para a decisão das eleições presidenciais dos Estados Unidos desta terça-feira (2). O cenário, porém, não está tão favorável para Donald Trump como em 2016.

O apoio do meio rural ao atual presidente, contudo, não deve ser desprezado, embora ele esteja bem distante do do pleito anterior. Em alguns estados do Meio-Oeste, região que foi preponderante para a eleição de Trump, a diferença de até dez pontos percentuais de diferença a favor do republicano evaporou.

O democrata Joe Biden ganhou a preferência de boa parte dos produtores rurais devido à política desastrada de Trump para a agricultura. Pelo menos 42% dos agricultores afirmam que o setor atualmente está bem pior do que quando o presidente republicano assumiu.

Embora ainda haja quem acredita que o atual presidente possa trazer bons momentos para o setor, os números os desmentem.

Quando Trump assumiu a Presidência dos Estados Unidos, as exportações americanas do agronegócio superavam em US$ 20,2 bilhões as importações. Esse valor foi recuando ano a ano, caindo para US$ 5,7 bilhões em 2019. Neste ano, o cenário é ainda pior, e os gastos com importações já superam em US$ 3,3 bilhões as receitas com exportações.

Trump entrou em uma aventura comercial contra a China, principal importador mundial de alimentos. Ao taxar importações chinesas de produtos industriais, enfraqueceu as exportações agrícolas americanas.

A China se voltou para o Brasil, que atingiu vendas agrícolas externas recordes. Sem os chineses comprando seus produtos, os americanos acumularam estoques elevados e queda de preços.

Distantes de um auxílio do dólar no mercado internacional, privilégio dos brasileiros, os americanos viram a renda cair, as finanças ruírem e ocorrer um aumento contínuo de falências no setor.

Jair Bolsonaro tentou seguir os passos de Trump, criticando a China em vários momentos, mas o setor agrícola brasileiro se antecipou e conseguiu frear essa aventura.

O resultado da agricultura brasileira nesses últimos anos é bem diferente do dos americanos. Em 2016, o saldo da balança comercial brasileira foi positivo em US$ 71,3 bilhões. No ano passado, chegou a US$ 83 bilhões.

Trump fechou as portas também para acordos comerciais, o que está custando caro para os produtores. Tradicionalmente competentes no mercado mundial, os agricultores dos Estados Unidos perderam espaço na Ásia e na Europa.

O governo americano está espalhando bilhões de dólares para auxílio ao setor. A avaliação dos próprios produtores, no entanto, é que manter competitividade e renda por força própria seja melhor do que depender do dinheiro de Washington, que poderá secar a qualquer hora.

Os produtores do Meio-Oeste se sentiram traídos, ainda, pela opção de Trump em beneficiar as pequenas distribuidoras de combustíveis, isentando-as da mistura de etanol de milho à gasolina. Essa medida gerou uma menor demanda pelo cereal em um período de redução das exportações.

Finalmente veio a Covid-19, uma doença que afetou todos os países, mas muito mal administrada por Trump. Uma das consequências recaiu sobre o setor de carnes.

A cadeia de proteínas, devido à política do governo de manter em funcionamento os frigoríficos, foi afetada fortemente pela doença. O vírus se espalhou pela indústria, afetando abates, produção de carne e elevando os preços das proteínas para os consumidores.

Inicialmente nos grandes centros, o vírus agora se espalha pelas regiões rurais do país. Em alguns estados, de grande apoio a Trump na eleição passada, já chega a afetar toda a zona rural.

Apesar de todos esses problemas, parte do produtor rural não conecta a política a consequências econômicas, segundo analistas. Apelos emocionais, religiosos e sociais ainda são importantes. Aborto, direitos dos homossexuais e liberdades, conceitos da política dos democratas, ainda espantam esses eleitores do campo. O resultado é uma continuidade do apoio de boa parte deles ao republicano.

Fonte: Folha de São Paulo