out 17 2020

Minas bate novo recorde na produção de leite


Maior produtor de leite do Brasil, Minas Gerais bateu mais um recorde de produção em 2019 e puxou para cima os resultados da região Sudeste, que ultrapassou a região Sul na produção total. Além do volume de produção, o Estado também avançou nos níveis de produtividade.

Segundo dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) 2019, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção mineira cresceu 5,7% em relação a 2018, superando a marca de 9,4 bilhões de litros e sendo responsável por 27,1% da produção nacional.

Ao mesmo tempo, a queda no número de vacas ordenhadas mostra que esse aumento na produção de leite se deve à melhora na qualidade genética e nutrição do rebanho mineiro: pela primeira vez, a produtividade superou a casa dos 3.000 mil/litros/vaca/ano (3.012 litros), aproximando-se da produtividade dos estados do Sul do País.

De acordo com o analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallysson Lara, 2019 deve ser comemorado especialmente pelo ganho de produtividade alcançado pelos pecuaristas de leite mineiros.

“Esse ganho de produtividade nos dá a chancela que estamos no caminho certo. O produtor, persistente mesmo com custos elevados, está produzindo e melhorando a produtividade. Fazendo mais com menos. A produtividade acima da média nacional demonstra o melhoramento genético, a otimização de tecnologias e inovações e também que o produtor está utilizando melhor a mão de obra. Se a gente acompanhar o primeiro semestre de 2020, os números ainda são mais impressionantes. Busca da eficiência para alcançar a sustentabilidade, com gestão econômica e responsabilidade ambiental, faz parte da explicação para os bons resultados”, explica Lara.

Entre os dez maiores municípios produtores do País, sete estão em Minas Gerais: Patos de Minas (segundo colocado), Patrocínio (quarto), Coromandel (quinto), Pompeu (sexto), Lagoa Formosa (sétimo), Prata (nono) e Carmo do Paranaíba (décimo lugar nacional). Já o valor da produção de leite no Estado subiu 15,7%, em virtude também do aumento no preço unitário, gerando uma receita bruta superior a R$11,5 bilhões.

Melhoria genética – Segundo o coordenador estadual em Bovinocultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Nauto Martins, o bom desempenho do ano passado é fruto de um trabalho realizado há bastante tempo, que inclui muito estudo e dedicação por parte dos produtores, além de políticas públicas voltadas para a melhoria dos rebanhos e, consequentemente, aumento da produtividade.

“A produtividade cresceu na medida em que o produtor buscou mais eficiência técnica. Programas como o Pró-genética e o Pró-fêmeas democratizam a melhoria genética dos rebanhos, especialmente para os menores produtores. Essas são ações da Emater-MG em parceria com as associações de criadores de animais. Isso é feito desde 2006 e agora vemos o resultado. A pecuária é uma atividade de ciclos longos. Os resultados que temos hoje têm origem no passado e na permanência das boas práticas. Não adianta fazer um investimento ou um esforço apenas pontual. Tivemos animais melhorados produzindo mais também porque investimos mais tecnologia em itens como alimentação e manejo”, pontua Martins.

Futuro – Para 2020 a expectativa é também de bom crescimento apesar do susto imposto pela pandemia da Covid-19. O aquecimento do mercado interno e o auxílio emergencial de R$ 600 entregue pelo governo federal à parte da população mais vulnerável aumentam o otimismo do setor.

“Os números do primeiro semestre já apontam um ano de crescimento. Logo no início da pandemia, houve uma corrida aos supermercados e medo do desabastecimento. Felizmente isso não aconteceu e acabou demonstrando a capacidade dos produtores brasileiros, em especial, dos mineiros. O auxílio emergencial, que ajudou a reaquecer a economia das pequenas cidades, fez, inclusive, que parte da população passasse a acessar produtos de maior valor agregado, incluindo aí os laticínios. Agora começando o período das chuvas, a produção, historicamente, aumenta. A expectativa é de valorização da cadeia produtiva”, avalia o analista de agronegócios da Faemg.

“Passamos com louvor por esse período já em função dessas ações que trouxeram condições ao produtor de ter mais produtividade e, com isso, ganhar escala. O mercado mudou, a demanda aumentou e a produção diminuiu pela própria sazonalidade do período de seca e, por isso, o preço subiu, beneficiando o produtor. O auxílio emergencial ajudou para que muitas famílias entrassem no mercado de consumo, em um momento de pouco leite de mercado. A indústria tinha segurado a compra de leite esperando a reação dos consumidores e, com o aumento da demanda, houve uma busca concentrada pelo produto”, completa o coordenador estadual em Bovinocultura.