set 10 2020

Abates de bovinos caíram 8% no 2º tri no país, diz IBGE


O abate de bovinos atingiu 7,301 milhões de cabeças no segundo trimestre deste ano no país, um recuo de 8% na comparação com o mesmo período de 2019, conforme levantamento divulgado na manhã de hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ante o primeiro trimestre de 2020, houve crescimento de 0,3%.

Foi o pior resultado para um segundo trimestre desde 2011, em boa medida explicado pelos efeitos negativos da pandemia sobre o consumo de cortes de carne bovina de maior valor.

Conforme o IBGE, houve queda de abates em 22 das 27 unidades da federação. As mais profundas foram em Mato Grosso (165,71 mil cabeças a menos), Pará (92,23 mil), Mato Grosso do Sul (75,54 mil) e Rondônia (67,64 mil cabeças), Estados que reúnem os maiores rebanhos do país.
O IBGE divulgou também dados sobre os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro. Com o menor volume de abates, os estabelecimentos declararam ter recebido 7,32 milhões de peças inteiras no segundo trimestre, 12,8% a menos do que o registrado em igual intervalo de 2019.
Os abates de frangos também diminuíram. Somaram 1,41 bilhão de cabeças de abril a junho, com quedas de 6,8% em relação ao primeiro trimestre e de 1% ante o segundo trimestre do ano passado.

Nesse caso, foi o pior resultado desde o segundo trimestre de 2018. “Os efeitos da pandemia da covid-19, como paralisações temporárias devido ao contágio, que impactaram a produção dos frigoríficos, ajudam a explicar as quedas registradas”, informou o IBGE. Como informou o Valor, muitas empresas do segmento também ajustaram o ritmo de produção ao recuo da demanda.

Na comparação com o segundo trimestre de 2019, houve redução no abate em 12 das 25 unidades da federação acompanhadas pela pesquisa. As mais expressivas foram no Rio Grande do Sul (20,75 milhões de cabeças a menos), Goiás (13,75 milhões) e Santa Catarina (8,35 milhões).

Já a produção de ovos de galinha, proteína animal mais barata que as carnes - e por isso muito demandada em tempos de crise econômica - continuou a crescer. Chegou a 974,15 milhões de dúzias no segundo trimestre, 0,3% mais que entre janeiro e março e incremento de 2,8% ante o segundo trimestre do ano passado.

Ainda segundo o IBGE, foram abatidos 12,105 milhões de suínos no país entre abril e junho, com altas de 1,8% na comparação com o primeiro trimestre de de 6,2% sobre o segundo trimestre de 2019. “As exportações de carne suína, também recorde para um segundo trimestre, contribuíram para este setor da economia em meio ao panorama de incertezas ocasionado pela pandemia da covid-19”, informou o IBGE.

O abate cresceu em 11 das 25 unidades da federação acompanhadas pela pesquisa do instituto. Os maiores incrementos ocorreram em Santa Catarina (aumento de 371,44 mil cabeças), Paraná (230,33 mil) e Minas Gerais (138,38 mil).

No caso da aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos sob inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal), o IBGE apontou que o volume alcançou 5,758 bilhões de litros no segundo trimestre deste ano, com retrações de 9,3% ante o primeiro trimestre e de 1,7% em relação ao intervalo entre abril e junho do ano passado.

“O segundo trimestre regularmente apresenta menor captação, devido à etapa de entressafra nas principais bacias leiteiras do país. Os efeitos da pandemia de covid-19 também impactaram o setor, ao reduzir o consumo de derivados lácteos”, informou o IBGE.

Apesar da queda, o resultado do segundo trimestre representou a terceira maior captação de leite da série, superada pelo segundo trimestre do ano passado e pelo mesmo período de 2014.

Fonte: Valor Econômico