set 10 2020

Cada vez maior, participação feminina faz agronegócio decolar



“É o Brasil que vai produzir e alimentar o mundo”. A afirmação é de uma especialista no agronegócio: a diretora do canal Terraviva, Cristina Bertelli. Em entrevista exclusiva ao Instituto Millenium, a executiva falou sobre as suas expectativas para o futuro do segmento mais significativo para a economia do Brasil.

Em oposição à queda histórica de 9,7% do PIB brasileiro no último trimestre, o agronegócio tem apresentado recordes de crescimento, especialmente em seu setor primário, que de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Querioz (CEPEA/Esalq/USP), entre janeiro e maio de 2020 teve alta de 11,67%.

Mas não é só a projeção do agronegócio que chama atenção no Brasil: a participação cada vez maior das mulheres no setor, inclusive em cargos de destaque, também merece atenção. Segundo Cristina Bertelli, a participação feminina no agro está em franco crescimento e, de acordo com o Censo Agropecuário feito pelo IBGE, o número de estabelecimentos rurais administrados por mulheres teve um aumento de 38% nos últimos 12 anos.

Um fato interessante é que, para a especialista, o aumento de mulheres no agronegócio trouxe maior efetividade na gestão de pessoas, pela sensibilidade no trato com as famílias envolvidas no processo e também mais produtividade no manejo de animais diários. “Na pecuária leiteira muita gente já fala que mulheres conseguem maior produtividade na ordenha. Então fazendas grandes estão buscando mulheres e ensinando, para que elas possam cuidar da ordenha. Já vemos essa participação, que antigamente não existia. Mulheres já começam a participar de toda fase de produção da fazenda”, explicou.

Exemplos da presença feminina

Como destaque da expressividade feminina no setor, Cristina Bertelli destacou três exemplos de mulheres à frente de importantes instituições: Tereza Cristina, ministra da Agricultura; Teka Vendramini, Presidente da Sociedade Rural Brasileira; e Malu Nachreiner, Presidente da multinacional Bayer.

“A nova ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que foi deputada, é engenheira agrônoma e produtora rural, é a segunda ministra da Agricultura mulher, e vem desempenhando um trabalho fantástico. Elas conseguiram abrir o mercado não só para carnes, que o Brasil já era tradicional, mas pra lácteos. Conseguiu aumentar muito o número de países para onde o Brasil estava exportando, a gente exporta para mais de 160 países”, afirmou.

A diretora do canal voltado ao agronegócio do Grupo Bandeirantes também destacou Teka Vendramini, a primeira Presidente mulher da Sociedade Rural Brasileira. “Esta é uma entidade muito tradicional e respeitada, com sede em São Paulo, e completou 100 anos. Então em 100 anos é a primeira presidente mulher”, ressaltou.

Bertelli também destacou o papel de Malu Nachreiner. “Recentemente, ela assumiu a presidência da Bayer. Tem 40 anos, é super jovem e é primeira mulher a primeira mulher a ocupar o comando de uma multinacional do agronegócio no Brasil”, destacou.

Um setor que avança sem parar

Para Cristina Bertelli, esse avanço do setor, ainda que possa sofrer variações por adversidades climáticas e queimadas, é permanente, já que o Brasil tem se mostrado um grande produtor de alimentos mundial.

“O agro nunca esteve melhor, infelizmente o momento do mundo não é o melhor, mas o agro brasileiro está na sua melhor fase e vem segurando os números da economia, do PIB e do balança comercial. Para o nosso país está fazendo uma grande diferença. O Brasil é um dos poucos países que está crescendo na pandemia. E os números são incríveis, em junho o Brasil bateu recorde de exportações, com aumento de 25% com relação ao ano passado. O agronegócio está sendo responsável por quase 60% das exportações totais do nosso país, além disso nós estamos com uma safra recorde de grãos e recorde de exportação de carnes também”, afirmou.

Como diretora do canal Terraviva, Cristina Bertelli destaca a importância da comunicação para o crescimento do setor, especialmente com a difusão cada vez maior das fake news e de campanhas criadas pelos concorrentes para denegrir a imagem do agro brasileiro.

“A comunicação é a única forma de chegar até o consumidor final e ter efetividade. Porque é ele que vai consumir o produto, ele que vai pagar, ele que vai decidir que produto ele quer, e se ele está disposto a pagar um valor maior por um produto orgânico ou por uma carne especial, um corte especial. Se elo da cadeia que é o consumidor não estiver bem informado a chance dele não entender ou não consumir um produto diferenciado é muito grande”, ressaltou.

A comunicação como ferramenta para transações comerciais também foi apontada como destaque para o setor pela especialista – o Grupo Bandeirantes, inclusive, lançou recentemente um novo canal, o Agro+, voltado para o noticiário econômico – enquanto o Terraviva foca mais na produção, parte comercial e os tradicionais leilões.

Fonte: Exame