ago 24 2020

Startup brasileira cria controle biológico para carrapato bovino


Um dos principais problemas da pecuária brasileira é o carrapato. Mas uma solução biológica viável, que pode substituir o uso de químicos e ser aplicada em animais e pastagens – onde encontram-se cerca de 95% dos carrapatos –, tem demonstrado resultados efetivos.

Desenvolvido pela startup brasileira de biotecnologia Decoy Smart Control, o carrapaticida biológico têm como princípio ativo esporos de fungos inimigos naturais do parasita.

Por ano, a pecuária brasileira acumula perdas com a praga que chegam a R$ 10 bilhões, segundo dados do Ministério da Agricultura. Além de aumentar produtividade e bem-estar animal, bem como reduzir a mortalidade, o produto biológico dispensa o uso de químicos agressivos aos bovinos e ao meio ambiente, sem deixar resíduos no leite ou na carne.

Outra vantagem do produto biológico é que os carrapaticidas sistêmicos – que tendem a ser mais usados pelos produtores – são ainda mais prejudiciais para a qualidade do leite do que os de tópicos, pois têm um ciclo maior dentro dos animais.

Carrapato causa perdas de bilhões aos fazendeiros do Rio Grande do Sul
“O uso de químicos tem uma série de efeitos colaterais negativos, que é o descarte do leite ou a própria intoxicação do rebanho. Então, o produtor percebe a vantagem que o biológico tem e contribui com uma ajuda de custo para fazermos a avaliação e os resultados do estudo”, explica Lucas von Zuben, CEO da Decoy.

A empresa desenvolveu uma tecnologia que escalona a capacidade de produção da solução: na sua biofábrica de 80 m², é possível fabricar produtos que atendam cerca de 1,2 milhão de cabeças de gado por mês.

A tecnologia de produção e as espécies dos fungos usados ainda são segredos industriais, e o produto está em processo de regulamentação junto ao Ministério da Agricultura para iniciar a comercialização.

Até agora, a tecnologia já está em uso por cerca de 400 pecuaristas – totalizando mais de 35 mil cabeças – e pretender fechar o ano com mil parcerias. Dentre os parceiros, estão desde pequenos criadores de leite orgânico da Nestlé, Associação Brasileira de Angus e a Coopatos Cooperativa Agropecuária.

Segundo Antônio Villaça, gerente do Departamento de Relacionamento com o Cooperado da Coopatos e responsável pela Estação Recriar, em Patos (MG), a dificuldade em encontrar soluções para o desafio do carrapato faz com que se recue no potencial genético do rebanho temendo não conseguir combater os ectoparasitas, além do atraso no desenvolvimento das novilhas e queda na produtividade dos animais.

“De um lado, ele é pressionado pela indústria de laticínios ou até pelo Ministério da Agricultura para produzir um alimento seguro, com qualidade e menor índice de pesticidas. Do outro, tem que lidar com uma praga que está cada dia mais forte, causando mais problema para propriedade”, ressalta.

Fonte: Globo Rural