ago 15 2020

ExpoGenética conta com mercado aquecido para impulsionar edição 2020


O mercado aquecido para a pecuária e o retorno financeiro promovido pela valorização da arroba do boi gordo prometem estimular os investimentos em genética, considerada a principal forma de melhorar a produtividade e a qualidade dos animais e da carne.

Com o mercado favorável, as expectativas são positivas em relação aos negócios a serem efetuados ao longo da ExpoGenética 2020, maior feira técnica de zebuínos do mundo. O evento, que começa neste sábado (15) e vai até 23 de agosto, deve registrar, somente nos leilões, aumento de 50% no faturamento, movimentando cerca de R$ 45 milhões.

Devido à pandemia do Covid-19, o evento será realizado em dois formatos digitais, com transmissão ao vivo pela TV e também pela internet.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Rivaldo Machado Borges Júnior, a migração da feira física – impedida de ser realizada devido aos protocolos para controle do Covid-19 – para a virtual foi importante para continuar levando conhecimento aos pecuaristas e também para que eles continuem investindo na melhoria genética do rebanho. Com o formato virtual, a estimativa é de alcançar um público bem maior que o do evento físico, gerando mais oportunidades de negócios.

“Nossa expectativa é enorme e positiva. Tivemos que nos reinventar na crise e criar um novo formato para o evento. Tenho certeza que este formato veio para ficar e irá ampliar a abrangência da exposição. O mais importante é que teremos um público nacional e internacional. Estaremos conectados em cinco continentes”, destacou.

A perspectiva positiva em relação aos resultados do evento tem como um dos principais fatores o mercado valorizado da carne bovina, que tem gerado bom retorno financeiro aos pecuaristas e permitido o aumento dos aportes em genética.

Borges explica que os leilões zebuínos que vêm acontecendo ao longo do ano têm apresentado resultados muito favoráveis. Por isso a expectativa pelo aumento na modalidade de negociação na ExpoGenética. Serão 14 leilões chancelados, todos virtuais.

“Acredito que os faturamentos dos leilões serão 50% maiores que os do ano passado. A pecuária cresceu muito. A carne bovina teve um salto muito importante nos preços, com a arroba avaliada em torno de R$ 250. A pecuária forte e saudável gera condições de investimentos. Quando o pecuarista quer produzir uma carne de melhor qualidade, ele precisa procurar um animal puro de origem para fazer uma carne e uma produção de leite melhores, e ele encontrará opções na ExpoGenética”, afirmou.

360 graus – Por ser virtual, o alcance da exposição será maior. Para ser atrativo, o Parque Fernando Costa, sede da ABCZ onde a ExpoGenética é realizada, foi todo filmado em 360 graus, possibilitando ao público visitar os pavilhões pela Internet e conhecer a seleção zebuína. A ABCZ também comprou a programação do Canal do Boi, que irá transmitir de 15 a 23 de agosto a ExpoGenética. Serão cinco horas diárias de programação técnica, que também será transmitida ao vivo pelo site da ABCZ, das 7 às 12 horas.

“Pela internet ou televisão, os participantes terão acesso a todo o evento, podendo acompanhar diversas palestras, discussões sobre a raça, rodadas de negócios e fóruns, e investir em genética e na compra de insumos para a atividade”, disse Borges.

Além da parte de atualização e capacitação, a feira conta com fornecedores de insumos da cadeia e exposição de criadores, somando 94 participantes.

“O pavilhão de exposição também foi filmado, e o participante conhecerá os animais de forma virtual. Ao todo, teremos 52 fazendas expondo os bovinos. Estas unidades foram filmadas e os compradores poderão conhecê-las. Tivemos uma expansão de 20% no número de propriedades inscritas para exposição”, informou.

Outro destaque será o lançamento da edição do Sumário de Touros PMGZ/Geneplus, desenvolvido pela ABCZ em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

PAÍS RECONHECE NOVAS ÁREAS LIVRES DE AFTOSA SEM VACINA
São Paulo – O Brasil espera ter reconhecimento de novas áreas livres de aftosa sem vacinação, incluindo regiões dos estados de Mato Grosso e Amazonas, em maio de 2021, o que potencialmente ampliaria o número de unidades da federação para exportar uma carne mais valorizada no mercado internacional, informou o Ministério da Agricultura na sexta-feira (14).

A pasta disse ainda, em nota, que publicou, na sexta-feira, no Diário Oficial da União, a Instrução Normativa nº 52, que reconhece como livres de febre aftosa sem vacinação os estados do Acre, Paraná, Rio Grande do Sul e Rondônia.

Além disso, a instrução reconhece como áreas livres de aftosa sem vacinação regiões do Amazonas (Apuí, Boca do Acre, Canutama, Eirunepé, Envira, Guajará, Humaitá, Itamarati, Ipixuna, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e parte do município de Tapauá) e de Mato Grosso, compostas pelo município de Rondolândia e partes de Aripuanã, Colniza, Comodoro e Juína.

Mais cedo nesta semana, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) havia comentado à Reuters que o Brasil reconheceria as novas áreas livres de aftosa sem vacinação, ressaltando que este é o primeiro passo para o aval pela Organização Internacional da Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês).

“Mais de 40 milhões de cabeças estarão prontas para exportação para mercados mais exigentes. O Brasil já é livre de aftosa com vacinação, mas esse bloco será livre sem vacinação. E isso deve melhorar o valor dos produtos desses locais para exportar para mercados como Japão, Coreia do Sul, que são mais exigentes e que não aceitam a carne bovina vacinada”, disse, em nota, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

O processo de transição de zonas livres de febre aftosa com vacinação para livre sem vacinação está previsto no Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (Pnefa).

“O reconhecimento nacional pelo Mapa é um dos passos para alcançar o reconhecimento internacional junto à OIE. A expectativa é de termos esse reconhecimento pela organização em maio de 2021 para esses estados”, informou o diretor do Departamento de Saúde Animal do ministério, Geraldo Moraes.

Atualmente, no Brasil, apenas Santa Catarina possui a certificação internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação.

A norma publicada pelo ministério entra em vigor no dia 1º de setembro.

Diário do Comércio