ago 16 2020

Pecuária paranaense se destaca em qualidade de carnes e quantidade de rebanhos


O Caminhos do Campo deste domingo (16) mostra que a pecuária paranaense tem crescido em quantidade e qualidade. Assista ao vídeo acima.

Segundo o Instituto Brasileiro de Estatística de Geografia (IBGE), o último levantamento apontou que o Paraná tem o 8º maior rebanho de bovinos do Brasil.

Entre os rebanhos, o gado de corte se destaca no estado. Conforme a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), são mais de 6 milhões de cabeças.

A região noroeste tem a maior produção de bovinos do estado e conta com 70% da área coberta por pastagens. Sendo Umuarama e Paranavaí os municípios com os maiores rebanhos.

Mesmo com a pandemia, a bovinocultura de corte se mantêm firme no Paraná, pois as cotações da arroba do boi gordo seguem aumentando.

Genuinamente paranaense, a Purunã mantêm diferenças interessantes das outras raças criadas no país.

Além disso, tem uma raça que tem ganhado espaço nas fazendas e açougues paranaenses: a Angus. Os criadores afirmam que ela gera mais rentabilidade e o consumidor ganha uma carne diferenciada.

Noroeste do Paraná
Algumas características favorecem a criação de gado de corte nesta região. O solo arenito, que é arenoso e ruim para algumas lavouras, é muito indicado para culturas perenes, como as pastagens.

A região ainda tem baixa altitude, que gera calor em excesso. O verão quente e úmido e o inverno ameno também são boas condições para produção de pastagens.

"O angus puro é uma raça europeia e na Europa é mais frio. Gado Nelore é mais robusto. Enquanto, antigamente, Nelore tirava com três a quatro anos, o Angus se tira com menos de dois anos. O Nelore nasce maior. O Angus nasce menor e depois dá uma explosão. Outra vantagem é na hora da venda. Nelore em pé. Angus é feita venda no peso vivo", explica o pecuarista Adriano Luiz Ortiz.

A maior produção brasileira de Angus está no sul do país. No Paraná, por exemplo, a raça ocupa o quarto lugar em produção no país.

O Paraná conta com quase sete mil criadores de bovinos. Na fazenda do pecuarista Aluízio Fávaro Junior, em Paranavaí, é feita a engorda dos bezerros, em até sete meses os animais ficam prontos para o abate.

A produção na propriedade é de mais de 600 cabeças por ano, uma novilha vai para o abate com 450 quilos. Para chegar nesses resultados, o trato dos animais é cuidadoso.

"Para termos uma carne de qualidade e o abate desses animais super precoce, desde a chegada destes animais eles são suplementados a pasto. Bagaço de laranja, farelo de soja, milho moído, núcleo mineral e um pouco de ureia. Acreditamos que a raça Angus veio para ficar", explicou o pecuarista Aluízio Fávaro Junior.

Campos Gerais do Paraná

O gado Purunã é uma raça paranaense, que foi desenvolvida por um órgão estadual, há 40 anos, na serra dos Campos Gerais.

O rebanho de cor clara e marrom, de tons até avermelhados, é resultado do cruzamento de quatro raças.

A herança genética vem do charolês, que tem fácil ganho de peso e volume de carne.

O Purunã pode chegar aos 450 quilos com 15 meses no momento do abate. E média, ele tem 50 quilos a mais que o peso final da raça Angus.

Além disso, tem a genética do gado Canchin, que é rústico e pode ser criado em diferentes sistemas de produção. O sabor da carne foi critério para criar a raça do Paraná.

"Na produção de carne você quer qualidade, pegamos do angus. Tem precocidade e marmoreio, acabamento de carcaça", explica o pesquisador José Luis Moletta.

A quarta raça que emprestou características ao Purunã foi o gado Caracu, que se adapta muito bem desde baixas temperaturas do sul até o calor intenso do norte do país.

Desde o registro da raça em 2019, pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, houve 30% de crescimento no número de criadores no país. O rebanho de animais puros, sem cruzamento, é de 4.500 cabeças.

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar-Emater) e a Associação Brasileira de Criadores da raça estão em contato porque a raça continua sendo melhorada geneticamente ano a ano.

As informações trazidas pelos produtores ajudam os pesquisadores na tarefa de melhora genética. O Purunã tem mostrado que a carne pode ter grande qualidade em produções de pasto e confinamento.

Nesta semana, o Paraná foi reconhecido oficialmente como estado livre da febre Aftosa sem a vacinação. Com isso, fica mais perto de ser reconhecido também internacionalmente.

Leilões online

Com a pandemia do novo coronavírus, a comercialização de gado precisou se adaptar. Em algumas situações, produtores estão participando de leilões virtuais.

Os vídeos são enviados com informações dos touros, como idade e peso, para redes sociais, grupos de WhatsApp e contatos de produtores rurais de todo o Brasil.

Piotre Laginski é pecuarista e disse que até 80% dos touros que vende vão para outros estados.

Essa rede de negócios a distância foi o caminho que ele encontrou depois que leilões presenciais em feiras foram suspensos. A rotina nova no campo tem garantido resultados surpreendentes.

"A gente imaginava que ia diminuir o mercado, mas com essa nova ferramenta o mercado ampliou. A tendência é a gente dobrar esse número até o final do ano", diz Piotre.
As vendas online também reduziram tempo e custos com o deslocamento e a exposição de animais até os leilões. Mas, como em toda gravação, as do pasto nem sempre saem como o planejado.

"Como são animais a campo, tem alguns que não têm aquela mansidão. Aquela característica de passar devagar, passam correndo, você tem que fazer duas, três imagens para conseguir traduzir o que é melhor.”

Organizações de leilões também têm se adaptado ao momento. Uma sala que a equipe do Caminhos do Campo visitou ganhou proteção acústica, mais luzes, bancadas e cenário para gravação.

Um estúdio foi montado no parque de Exposições de Cascavel, no oeste do Paraná, por uma empresa que atua há mais de vinte anos com leilões tradicionais e que, agora, transmite tudo pela internet.

Neste leilão online, a empresa vai até a propriedade do criador que quer vender. Os animais são gravados, pesados e identificados e os vídeos exibidos num site e numa plataforma da internet. Tudo com dia e hora marcados e acompanhamento do dono dos bichos.


Cleber Bortolato, dono da empresa de leilões, conta que não só conseguiu manter os vinte leilões programados no primeiro semestre, como também aumentou o volume de negócios.

"Passa da casa dos dez mil animais comercializados no primeiro semestre, ficamos até assustados, porque esse número está em torno de 32% maior no volume comercializado em comparação ao ano passado. Justamente por causa dessa ferramenta.”
O diretor de pecuária da Sociedade Rural do Paraná, Gabriel Garcia Cid, afirma que as regras de negociação nos leilões virtuais não mudam e que cada vez mais pecuaristas têm apostado na compra e venda online.

"Num primeiro momento, quem nunca tinha feito tinha essa dúvida, mas aí começaram alguns leilões importantes. Com o tempo as pessoas viram que o negócio foi andando, que a compra e venda foram sendo realizadas e as regras são as mesmas", explica.

G1