ago 10 2020

Para Ernesto Araújo, aumento das exportações à China mostra que não há problemas na relação bilatera


O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse hoje que o aumento das exportações do Brasil para a China em 2020 acaba com um “mito” de que posições políticas do atual governo poderiam prejudicar o agronegócio brasileiro nas negociações com os asiáticos. Ele negou a existência de qualquer problema com os chineses, mas reforçou a intenção de diversificar o mercado internacional. O chanceler disse ainda que a estratégia de vendas externas não é determinada pelo maior parceiro comercial.

“Não temos problema nenhum com a China, estamos vendendo. O Brasil se posiciona ao redor do mundo com seus principais parceiros de acordo com seus interesses, prioridades e valores”, afirmou ao rebater críticas ao alinhamento declarado aos Estados Unidos. Segundo ele, “o mito de que poderia ser criado algum tipo de problema político e que isso geraria prejuízo para o agronegócio brasileiro no comércio com a China” é desfeito com o aumento de 30% nas exportações no primeiro semestre de 2020 só de produtos agropecuários. “É um desempenho extraordinário”, pontuou durante uma transmissão ao vivo.

Araújo comentou que a situação se repete com os países árabes. “Outro mito é de que nossa suposta intromissão em temas no Oriente Médio prejudicaria comércio com países do Mundo Islâmico”, disse ele ao relevar aumento de 8,8% nas vendas agrícolas em 2019. Os números parciais de 2020 não foram divulgados.

O ministro ressaltou a “importância enorme” da China na balança comercial do agronegócio, mas disse que é preciso diversificar a pauta exportadora e os destinos. “Queremos continuar, mas precisamos diversificar. Não podemos comercializar só para a China, como se fosse o único parceiro comercial e como se o fato de ser o primeiro parceiro comercial tivesse uma relevância que se impõe em toda política. Durante muito tempo os EUA foram o maior parceiro do Brasil e tínhamos política antiamericana naquela época. Esse argumento de que o primeiro parceiro comercial determina todo o conjunto da política externa nunca existiu”, defendeu.

O chanceler fez duras críticas à política comercial de governos anteriores, principalmente pela orientação antiamericana. “Nossa política comercial perdeu grandes oportunidades para preservar aquele sistema de corrupção”, disse. “Era uma política ideológica, antiamericana e que não fazia nenhum comércio, dinamitava acordos bons, reforçava um sistema corrupto e preservava espaço para sistema nacional corrupto”.

Um dos pontos ressaltados por Araújo era a interferência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) nas negociações externas do país. “O MST tinha acesso ao Itamaraty, dando palpite até nas relações comerciais. Autoridades eram obrigadas a receber representantes do MST que eram contra as negociações comerciais, pelos mais diferentes pretextos e motivos”.

Valor Econômico