ago 10 2020

Guedes diz que país não sofreu choque externo graças ao agronegócio


O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira que, com a pandemia de covid-19, esperava-se que a economia brasileira sofresse uma retração de 10% neste ano, com pelo menos 3,5% de queda decorrente do “choque externo”, mas que isso não se verificou.

“Esperava-se que o PIB [Produto Interno Bruto] do Brasil fosse cair 10%, sendo pelo 3,5% do choque externo”, afirmou em um fórum virtual da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para debater as políticas públicas para o setor leiteiro. “Choque externo veio zero”, completou.

De acordo com o ministro, a agropecuária manteve o país “vivo”. Ele destacou que as exportações brasileiras quase não sofreram durante a pandemia e estão praticamente no mesmo nível do mesmo período do ano passado.

Segundo Guedes, isso aconteceu porque as vendas brasileiras foram remanejadas como, por exemplo, para a China e Ásia. “O povo do campo é tão forte que remanejamos [as vendas] para China, para a Ásia”, afirmou.

O ministro disse ainda que a atuação do setor foi “extraordinária”, não só para afastar a terrível ameaça que é a pandemia, como para manter a população abastecida.

Para ele, “está muito claro que o Brasil tem vantagem comparativa muito forte no agronegócio”. O país tem abundância de recursos hídricos e de sol, além de dominar uma tecnologia que permite três safras ao ano, afirmou. “Somos potência agrícola não só do presente, mas do futuro.”

Ele disse que a China, devido a questões hídricas, optou por importar soja do Brasil, e que “está escrito que depois da China vem a Índia, e depois Oriente Médio... Todo mundo vem buscar isso aqui”.

Guedes também defendeu que a abertura comercial tem de ser em duas mãos. “Vamos estar de mãos dadas na rota de modernização da agricultura brasileira”.

Durante sua participação inicial, o ministro elogiou o trabalho da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que também participa do fórum. Ele brincou que todo o domingo tem alguma reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) para atender aos pedidos da ministra.

Ainda em tom de brincadeira, contou que o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, disse que o banco será mais importante para a agricultura do que o Banco do Brasil.

Controle de preços
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou há pouco que, no passado, as políticas adotadas como sistemas de controle e sustentação de preços, assim como o fator crédito subsidiado, contribuíram para o país mergulhar na hiperinflação.

“Na esperança de ajudar o campo, mergulhamos o país num período de hiperinflação. Foi muito ruim para o pais”, disse Guedes.

Na avaliação do ministro, a melhor forma de lidar com o preço dos produtos agrícolas que sofrem muito com as intempéries é evoluir com a oferta de seguros e uso do mercados futuros contra flutuações de preços.

O subsecretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais, Rogério Boueri, afirmou que o controle de preços não é algo que essa equipe econômica apoia. “Não temos como controlar preço”, disse.

Para Boueri, a forma do Ministério da Economia contribuir com o setor é desenvolver uma metodologia de cálculo do custo de produção regionalizado. “Isso que é o que o ministério pode contribuir para a precificação”, reforçou o subsecretário.

Valor Econômico