jun 12 2020

Em reunião, bancada ruralista pede a Guedes R$ 1 bi adicional para subvenção ao crédito rural


Deputados da bancada ruralista se reuniram por mais de duas horas com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na noite desta sexta-feira, de forma virtual. A principal reivindicação dos parlamentares foi a redução dos spreads bancários no crédito rural e o aumento dos recursos para equalização dos juros do Plano Safra 2020/21, que será anunciado na próxima quarta-feira. O colegiado pede R$ 1 bilhão a mais para subvenção dos financiamentos aos produtores.

Mesmo com prazo curto para negociação, participantes da reunião afirmaram ao Valor que Guedes sinalizou "viabilidade" para atender os pedidos, mas não deu respostas definitivas. Equipes técnicas do ministério e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) vão continuar a discussão na segunda-feira.

O deputado mineiro Zé Silva, líder do Solidariedade na Câmara, disse que a bancada teve boa abertura para apresentar as demandas e que Guedes indicou dois caminhos para conseguir reduzir os juros aos produtores: o Tesouro Nacional gastar mais para pagar pelo spread para os agentes ou o mercado se regular, com mais instituições financeiras participando do crédito rural.

"Saí com o sentimento de que deve ter pequena baixa de spread e nos juros e que o seguro rural vai ter aumento de recurso. Existe viabilidade de atendimento das nossas demandas", destacou. A FPA deve apresentar um documento com a fundamentação dos pleitos na segunda-feira à equipe econômica. A bancada tenta também a liberação de R$ 500 milhões para assistência técnica e extensão rural.

O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e deputado federal, José Mário Schreiner (DEM/GO), disse que foi colocada de "forma clara" a necessidade de reduzir os spreads bancários e que isso passa pela necessidade de interferência junto ao Banco do Brasil, principal agente do mercado de crédito agrícola do país.

"Se for analisar, a Selic a 3% e com tendência a cair e juros praticados a 8% é um negócio maluco", disse ao Valor. Ele também reforçou o pedido por mais recursos para o seguro rural e de aumentar o montante disponível no Tesouro para fazer a equalização do Plano Safra. "Aumentando o seguro, melhora o cenário para investimento de agentes privados nesse mercado".

Tema controverso, a questão da dívida do Funrural (Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural) também foi lembrada na reunião com Paulo Guedes. Segundo outro participante da reunião, o ministro reforçou que o assunto tem que ser resolvido por meio da reforma tributária no Congresso Nacional e que "não quer tratar de novo Refis ou de perdão do passivo".

Parte do setor produtivo reclama do não cumprimento de uma promessa de campanha do então candidato à presidência Jair Bolsonaro de acabar com a dívida. Um grupo de produtores deve reforçar o pleito em uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, no próximo domingo.

Valor Econômico