dez 5 2019

Entidade prevê que preços da carne vão se normalizar


O superintendente técnico da CNA, Bruno Lucchi, avaliou, no evento promovido pela entidade em Brasília, que o preço da carne bovina deverá se normalizar no início de 2020 com um maior equilíbrio entre oferta e demanda. Ele ressaltou que a alta da proteína se deve a um “momento único”, devido a fatores como crise da peste suína africana na China, oferta reprimida no Brasil e demanda em recuperação. E reforçou a posição divulgada na terça-feira pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, de que não vai faltar produto para o abastecimento do mercado interno.

Lucchi afirmou que, apesar de o preço da carne ter atingido patamares recorde, o poder de compra do consumidor brasileiro aumentou. Segundo ele, em 2004 o quilo da picanha valia R$ 28 e correspondia a 11% do salário mínimo, de R$ 260. Atualmente, com salário de R$ 998 e picanha a R$ 66, o peso da proteína é de cerca de 6%. “O poder de compra do brasileiro não diminuiu”, disse.

A avaliação da CNA é que o estímulo dos preços pagos ao produtor vai alavancar investimentos no segmento. “Não vai faltar carne, o produtor vai reagir. Faltava o estímulo dos preços para melhorar investimentos em tecnologia. A pecuária não vai ser a mesma”. Segundo Lucchi, na análise dos dados de acesso ao crédito, já é possível identificar a busca por investimentos da pecuária nacional. “O acesso ao Inovagro [linha de crédito] aumentou 98% até outubro, ao ABC aumentou 91%. O produtor já está se preparando. Está ciente do momento e vai investir em tecnologia. É um caminho sem volta”.

O presidente da CNA, João Martins, afirmou que os preços da carne bovina estavam achatados há dois ou três anos e que o custo de produção aumentou muito. “Mas não vamos retornar ao preço de anos atrás, vamos ajustar o valor de mercado. Se o consumidor deixar de comprar, o preço vai se ajustar”, afirmou o dirigente.

Valor Econômico