set 27 2019

Laticínios Porto Alegre investirá R$ 130 milhões


Apesar do cenário adverso para as indústrias de lácteos no país, a mineira Laticínios Porto Alegre (LPA), que faturou R$ 630 milhões em 2018, está investindo para ampliar a produção de itens de maior valor agregado e alcançar a meta de dobrar o faturamento até 2023.

Ontem, a companhia inaugurou uma planta em Antônio Carlos (MG), na qual aplicou R$ 100 milhões, para ingressar nos mercados de iogurtes e cream cheese. Para os próximos anos, a empresa programa investir mais R$ 130 milhões.

“Estamos investindo mais em produtos de maior valor agregado para ampliar o portfólio e entregar ao varejo a linha mais completa possível”, afirmou o diretor-presidente João Lúcio Barreto Carneiro ao Valor. Ele estimou que, já neste ano, a receita bruta da empresa deve chegar a R$ 900 milhões, avanço de 42%.

Atualmente, a empresa produz leite longa vida (UHT), leite em pó, queijo muçarela e requeijão. Com a nova planta, o portfólio da LPA passa de 80 para 120 produtos. Na unidade também serão produzidos queijos do tipo cottage e minas frescal.

A fábrica entra em operação utilizando metade da capacidade total de 250 mil litros de leite por dia. A LPA processa cerca de 1 milhão de litros diárias em seus quatro laticínios - Ponte Nova (MG), Antônio Carlos (MG), Mutum (MG) e Valença (RJ).

Segundo Carneiro, os investimentos vão continuar. A LPA investirá R$ 40 milhões em uma nova planta no Espírito Santo, com previsão de inauguração no fim do ano que vem. “É a primeira etapa de um complexo industrial que teremos no Estado e que nos permitirá ampliar as vendas para o Nordeste”, afirmou ele. A empresa atende hoje aos mercados mineiro, carioca, paulista e capixaba.

Também está previsto um investimento de R$ 60 milhões até 2023 em uma nova unidade em Patos de Minas (MG). A planta produzirá queijos muçarela, prato, parmesão e soro de leite em pó, que será comercializado para outras indústrias. A LPA ainda planeja investir R$ 30 milhões em uma torre de secagem de leite na unidade de Antônio Carlos (MG).

A estratégia de crescimento do grupo mineiro conta com o suporte da suíça Emmi. Sócia da LPA desde 2017, o grupo fechou um acordo este ano para assumir o controle do grupo, elevando a participação de 30% para 70% - o acordo depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Esse movimento mostra que eles entenderam que o Brasil é um grande mercado, mas não muda em nada para a empresa”, disse Carneiro, que afirmou que a participação dos suíços chegou “no limite”. Ele e o irmão detém o restante da LPA, da qual são fundadores.

Valor