set 25 2019

CNA, que representa produtores rurais, aprova discurso


O discurso do presidente Jair Bolsonaro ontem na abertura da 74ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) dividiu opiniões entre entidades do agronegócio que decidiram se pronunciar sobre o tema ontem.

Enquanto a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), principal porta-voz dos produtores rurais do país, saiu em defesa de Bolsonaro, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que reúne empresas de papel e celulose, fez duras críticas ao posicionamento do presidente em relação às questões ambientais.

Procurada, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), que representa as agroindústrias instaladas no país - e que também vinha criticando a postura do governo em relação às questões ambientais, por temer a imposição de barreiras aos produtos do país no exterior -, preferiu não conceder entrevista ou publicar nota.

“O presidente Jair Bolsonaro conseguiu posicionar o Brasil na ONU. Defendeu a soberania nacional, esclareceu equívocos sobre a Amazônia e ressaltou o importante papel do Brasil na produção mundial de alimentos e na preservação do meio ambiente”, afirmou João Martins, presidente da CNA, em comunicado.

“Ele também afastou a tese de que o governo está colocando o mundo contra o agro brasileiro, defendendo não apenas o setor, mas toda a nação”, acrescentou. Isso porque Bolsonaro fez um discurso agressivo contra a esquerda, voltou a criticar o presidente francês, Emmanuel Macron, e falou ser uma “falácia” dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade. O presidente também leu uma carta de agricultores indígenas a favor da liberdade econômica em suas terras.

“Nós perdemos uma grande oportunidade hoje [ontem], num fórum extremamente qualificado e sobre uma temática que mobiliza o mundo, de posicionar melhor o nosso país e trabalhar uma imagem forte, com protagonismo. Estamos num momento em que a agenda do clima está presente no planeta”, afirmou Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo pelo PMDB e presidente da Ibá desde o último mês de março.

Para Hartung, setor produtivo, academia, organizações não governamentais (ONGs) e governos terão mais uma chance de melhorar a imagem internacional brasileira no próximo mês de dezembro, na 25ª Conferência do Clima (CoP-25), que acontecerá em Santiago, no Chile.

“Em seu discurso, Jair Bolsonaro focou o debate para dentro, falou para o público interno. Mas nosso país é uma potência ambiental. E nós brasileiros temos todos, no plural, que construir uma forte imagem para o país”, acrescentou Hartung. Mais cedo, em evento em Brasília, ele já havia criticado o radicalismo na questão ambiental e defendido a reconstrução da imagem do país nessa frente.

Valor Econômico