set 15 2019

Dez anos depois, o fim da recuperação judicial de um dos gigantes das carnes


No fim do mês passado, depois de mais de dez anos, o juiz Paulo Roberto Zaidan Maluf, da 8.ª Vara Cível de Rio Preto (SP), encerrou a recuperação judicial do grupo Arantes, hoje Premium Food Brasil. Em janeiro de 2009, a empresa, que era uma das maiores do setor de carnes, decidiu pedir proteção da Justiça para reestruturar suas dívidas de cerca de R$ 1,5 bilhão. O processo teve muitas idas e vindas, brigas societárias e dois aditamentos no plano aprovado pelos credores.

“A empresa sai muito menor do que entrou”, diz o advogado da companhia, Jorge Mattar. Quando pediu a recuperação, o grupo Arantes tinha dez empresas, resultado de uma série de aquisições feitas antes da crise de 2008. O objetivo era abrir o capital na Bolsa e se tornar um dos maiores exportadores do País.

Mas a crise do subprime dos Estados Unidos interrompeu os planos da companhia. Endividado por causa das aquisições, o grupo teve de lidar com a queda na demanda e prejuízos com aplicações ligadas ao câmbio. Hoje tem apenas uma planta de bovinos em Jataí, Goiás.

A saída da recuperação judicial, no entanto, ainda é questionada na Justiça. Parte dos credores trabalhistas com créditos acima de R$ 10 mil afirmam ter recebido apenas 3,95% dos valores, diz o advogado Marcio Neidson Barrionuevo da Silva. Ou seja, depois de dez anos, o processo ainda poderá ter desdobramentos negativos para a empresa.

O Estado de S Paulo