set 19 2019

Fim de vacinação contra aftosa atrasa


A retirada da vacinação contra a febre aftosa em todo o Brasil em 2021 deve ficar apenas no papel. O cronograma que prevê que todos os Estados deixem de imunizar o rebanho de bovinos e bubalinos contra a doença e que o país alcance o status sanitário de livre de aftosa sem vacinação em 2023 sofre com atrasos e não está descartada a possibilidade de que seja revisto totalmente.

“O que estava previsto para 2021 não vai ocorrer”, admitiu ontem o diretor do departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Geraldo de Moraes, após participar de evento promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), em São Paulo.

Embora não seja uma unanimidade, o fim da vacinação interessa aos pecuaristas, que reduziriam despesas. Do lado dos frigoríficos, a retirada da vacina era vista como uma forma de abrir mercados exigentes, como o Japão. No entanto, a decisão do país asiático de liberar a carne do Uruguai, que também imuniza o rebanho, mudou os planos e já há executivos da indústria frigorífica que defendem a manutenção da vacina.

Atualmente, apenas Santa Catarina tem o status de livre sem vacinação, o que viabilizou as exportações de carne suína catarinense para Japão e Coreia do Sul. Os demais Estados do país são reconhecidos como livres da doença com vacinação. “Pode existir a necessidade de revisão total do calendário. Isso não está excluído das possibilidades, embora não esteja na mesa neste momento”, disse Moraes, do Ministério da Agricultura.

Segundo ele, o ajustes se devem à dificuldades dos Estados cumprirem o cronograma. “Além disso, 2018 foi um ano que não existiu e em 2019 tivemos mudanças no governo e equipe. Estamos começando de novo e o calendário vai refletir o avanço de cada região”, afirmou.

O planejamento estratégico para o fim da imunização dividiu o país em cinco blocos. Composto atualmente por Acre, Rondônia, parte do Amazonas e parte do Mato Grosso, o primeiro bloco deveria retirar a vacinação em novembro deste ano. Mas a data foi adiada para maio de 2020 e poderá ter um novo atraso. “Vamos avaliar no final do ano quando ocorrerá”, afirmou Moraes.

Nas blocos que contemplam Estados do Norte e Nordeste, também houve atraso. A última etapa de vacinação nesses Estados estava prevista para maio de 2020. Agora, a situação será reavaliada.

Neste momento, o Paraná é o Estado mais próximo de deixar de imunizar o rebanho e alcançar o status de livre da doença sem vacinação. Os paranaenses retirariam a vacinação somente em 2021, mas o Estado se antecipou de olho nas oportunidades para a carne suína.

“O Paraná fez um trabalho muito bem feito e a situação deles está bem adiantada”, afirmou o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, José Guilherme Leal. A expectativa é que os paranaenses tenham vacinado o rebanho pela última vez em maio. A decisão final do ministério deve sair até o dia 30.

Para seguir o Paraná e não ficarem sozinhos no grupo do Sul, os gaúchos pediram antecipação da retirada da vacina e aguardam o resultado da avaliação do serviço sanitário do Estado, encerrada no último dia 6.

Por ora, apenas o bloco quatro, formado pelos demais estados, deve manter a programação original e deixar de vacinar os animais em maio do ano que vem.

Em novembro, terá início a segunda etapa de imunização contra a aftosa no país, na qual será utilizada novamente a vacina de 2 mililitros e sem a substância saponina - até o ano passado a vacina tinha 5 mililitros. As indústrias brasileiras de saúde animal investiram mais de US$ 16,5 milhões no desenvolvimento da nova versão. A mudança nas doses ocorreu após críticas relacionada a presença de abcessos (acúmulo de pus) em carne exportada aos EUA.

Valor Econômico