ago 7 2019

Teresa Cristina defende aumento dos registros de agrotóxicos no país


Em um esforço para transmitir que os alimentos brasileiros são "absolutamente seguros" do ponto de vista de possíveis contaminações por agrotóxicos, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reuniu jornalistas ontem em Brasília e disse que nenhum dos 262 novos produtos registrados pelo governo do início de janeiro ao dia 22 de julho começou a ser analisado neste ano. E indicou que o volume de registros continuará a aumentar até dezembro. No mesmo período de 2018, foram 234 registros.

Acompanhada por técnicos da Agricultura, dois especialistas de universidades, diretores da Anvisa e do Ibama, do ministro da Secretaria de Comunicação, Fábio Wajngarten, e do presidente da bancada ruralista, Alceu Moreira (MDB-RS), Tereza reiterou que é preciso aumentar ainda mais a quantidade de defensivos no Brasil para que haja mais produtos, e mais modernos, à disposição dos agricultores. E disse que o fato de a fila de análise de registros pelo governo estar mais célere não significa que o agricultor vai usar "adoidado" defensivos.

"Temos que continuar registrando mais produtos, inclusive os biológicos. Vocês vão ver cada vez mais registros de produtos daqui para a frente", destacou a ministra em café da manhã com jornalistas. "Estamos incomodados de um assunto técnico como esse ter se tornado uma guerra política no país e uma guerra comercial lá fora, em que o nosso Brasil vem sendo denegrido de uma maneira até leviana", acrescentou a ministra.

Tereza Cristina voltou a frisar que, na média, há defensivos que estão há quatro anos na fila de espera aguardando registros, apesar de a legislação determinar um prazo de 120 dias. E que o governo ainda precisa, eventualmente, acatar liminares da Justiça para acelerar o registro de determinadas moléculas a pedido de fabricantes. "Ainda temos mais de 2 mil na fila de análise".

Dentre os 262 produtos registrados neste ano, sete são novos, 136 são produtos técnicos (de uso exclusivo da indústria) e 126 formulados (prontos para serem adquiridos por produtores rurais mediante recomendação de um engenheiro agrônomo).

A ministra ainda enfatizou que não foi o governo Bolsonaro que começou a registrar mais agrotóxicos e que existe uma metodologia de análise e reavaliação que vem sendo aprimorada ao longo dos anos. E criticou a imprensa por, em alguns momentos, prestar um "desserviço" à população ao questionar a qualidade dos alimentos brasileiros.

Quanto aos níveis de resíduos de agrotóxicos em alimentos, Tereza Cristina chamou a atenção que, neste ano, o Brasil recebeu apenas dois alertas de notificação da Europa (RASFF - Rapid Alert System for Food and Feed). De 1999 até hoje, foram 75 notificações, sendo que o maior número ocorreu em 2015 com 13 reclamações. De 2017 até hoje, foram cinco. "Está provado por A mais B que os nossos produtos são seguros", disse.

Existem no mercado brasileiro quase 2 mil agrotóxicos registrados para uso nas lavouras. Por ser um país tropical, onde o ambiente é mais propício à proliferação de pragas, e por ter a vantagem de poder cultivar até três safras por ano, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, com vendas da ordem de US$ 10 bilhões.

Valor Econômico