jul 31 2019

Novas estradas mudam o modelo de pecuária do Pantanal


A implantação e cascalhamento de estradas de integração do Pantanal de Mato Grosso do Sul, pelo Governo do Estado, tirou a região do isolamento secular e está promovendo um novo ciclo da pecuária, onde o produtor está deixando de vender seu gado magro e hoje engorda o animal para comercializá-lo direto com os frigoríficos. Essa mudança de paradigma ocorre com a melhoria da logística para escoamento da produção.

“Vamos embarcar boi gordo no caminhão, que só saia da fazenda de comitiva, com perda de peso e rentabilidade. Essa obra do governo é fantástica”, afirma com entusiasmo o pecuarista Americo Resende OIiveira, da Fazenda São Miguel, Pantanal da Nhecolândia, em Corumbá. “Se ligar com o outro lado do Corixão, em direção a Rio Verde, então estamos no céu”, acentua.

Um dos principais trechos do tronco rodoviário projetado desde os anos de 1970 é a ligação da MS-228, a partir da Curva do Leque (entroncamento com a MS-184), com o centro criatório da Nhecolândia. A estrada, desse ponto, interliga Corumbá com Rio Negro (232 km) e a Rio Verde (56 km do trevo da MS-427 com a MS-228). Para o governador Reinaldo Azambuja, essa integração vai fortalecer a pecuária e promover o turismo rural em toda a planície.

Integrando os pantanais

Além do trecho de 40 km da MS-228 em execução, da Curva do Leque a Fazenda Alegria, o Governo do Estado concluiu a implantação de 18,8 km da mesma rodovia, entre a Vazante do Castelo e a fazenda Imaculada (entroncamento com a MS-427), entre Aquidauana e Corumbá. Também foram implantados com aterro e cascalho 34 km da MS-423, da Serra da Alegria (Rio Verde) a fazenda Morrinho (Corumbá). Outra frente de obra executa o mesmo serviço em 65 km das MS-228 e MS-423, entre as fazendas Picapau e Conceição, em Corumbá.

No leilão, de caminhão

“A logística é fundamental para o Pantanal e pela primeira vez um governo olha para a região e investe na implantação dessas estradas, que serão a nossa redenção”, afirma Luciano Leite, presidente do Sindicato Rural de Corumbá, município com o segundo maior rebanho bovino (2 milhões de cabeças) do país. “Hoje o pantaneiro já engorda o gado, que terá valor agregado, investindo também em novas tecnologias, como a pastagem cultivada”, ressalta.

O movimento de operários e máquinas animam os pecuaristas. Grande parte do gado comercializado no último sábado (27) no Leilão Novo Horizonte já foi transportado por caminhões. Segundo a empreiteira da obra, 30 caminhões transportam o minério de ferro (250 mil toneladas) a uma distância de 70 km, no distrito de Albuquerque, com alto consumo de pneus. Os caminhões atravessam o Rio Paraguai, no Porto da Manga, de balsa.

“O Reinaldo (Azambuja) acreditou no potencial da nossa pecuária e no pantaneiro e será sempre lembrado por esse feito”, declarou o pecuarista e leiloeiro Carlos Guaritá, dono de um leilão que comercializa quatro mil animais/mês na região. “O acesso o ano todo, com cheia ou seca, era o sonho do pantaneiro. Além disso, o Estado mantém conservadas as estradas MS-228 e MS-184, fato que nunca ocorreu, beneficiando também o turismo”, realça.

Rendimento no frete

A implantação do corredor viário favorece o pantaneiro em vários aspectos, segundo o pecuarista Ricardo Penna Chaves, da centenária Fazenda São José da Formosa: reduz o custo de transporte, permite a saída do boi pronto para o abate, agregando valor à produção, e estimula a comercialização local, no Leilão Novo Horizonte. “A logística é tudo, nos livra do atravessador e melhora o padrão do gado, que passa a ser transportado por caminhões”, diz.

Os transportadores também já sentem no bolso o benefício dos investimentos do Governo do Estado na região. Há seis anos no trecho, Jorge Lopes, 42, dono de uma frota de 12 caminhões, disse que a manutenção e cascalhamento das estradas reduziu os custos e encurtou distâncias. “Hoje percorremos 50 km, do asfalto (BR-262) até o leilão, em uma hora; antes demorava pelo menos cinco horas, devido aos atoleiros e buracos. O acesso era muito ruim”, lembra.

Para o caminhoneiro Dalto Trelha, 38, as boas estradas reduziram os danos no veículo e aumentou o seu ganho mensal no frete em 30%. “O acesso está uma maravilha, 100%”, comenta. “Antes era um sofrimento, judiava do gado e do caminhão. Quando chovia, ninguém passava, a viagem demorava um dia se chegasse o socorro”, conta. “O governo também está recuperando a cabeceira das pontes e isso deu mais segurança”, diz ele, há cinco anos na atividade.

Minuto MT