jul 3 2019

JBS ainda faz compra indireta de gado criado em área embargada


A JBS continua comprando indiretamente gado que passou por área embargada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de acordo com reportagem conjunta publicada ontem pelo jornal The Guardian e pelo Repórter Brasil. A área foi embargada em novembro de 2010 devido ao desmatamento ilegal na região amazônica.

O caso envolve uma fazenda do grupo Agro SB, do banqueiro Daniel Dantas. De acordo com a reportagem, uma área da fazenda Lagoa do Triunfo, em São Félix do Xingu (PA), está embargada pelo Ibama devido ao desmatamento ilegal. No entanto, o grupo segue criando gado nessa propriedade.

A JBS não faz compras diretas de gado da fazenda Lagoa do Triunfo, mas de outra propriedade do grupo de Daniel Dantas. Segundo a reportagem, a JBS adquire bovinos da Fazenda Espírito Santo. O problema é que o grupo Agro SB transfere gado da Lagoa do Triunfo para a Espírito Santo.

Em nota, a JBS, maior empresa de carnes do mundo, informou que "não adquire animais de fazendas envolvidas com desmatamento de florestas nativas, invasão de terras indígenas ou áreas de conservação ambiental, ou que estejam embargadas pelo Ibama".

No caso das compras indiretas, a JBS argumentou que "essa questão só será resolvida a partir de uma solução setorial e da participação dos órgãos governamentais para a sua implementação".

A empresa defende a criação de uma Guia de Trânsito Animal (GTA) Verde. Por meio desse procedimento, a emissão das guias que permitem o transportes dos animais - entre fazendas ou até o frigorífico - contaria com uma checagem automática na lista de áreas embargadas pelo Ibama.

Com isso, a transferência de animais de áreas embargadas para áreas regulares seria inviabilizada, evitando casos como os ocorridos com a compra de gado das fazendas do grupo Agro SB.

Procurada pelo The Guardian e pelo Repórter Brasil, a Agro SB informou que a fazenda Lagoa do Triunfo foi adquirida em fevereiro de 2008 e que, desde então, nunca desmatou a propriedade. "Isso quer dizer que toda a antropização da fazenda foi realizada antes de 22 de julho de 2008, marco legal do Código Florestal que definiu áreas consolidadas. Em outras palavras, aberturas de áreas feitas antes desta data podem ser exploradas comercialmente", argumentou a empresa.

O grupo também destacou que nem toda a área da fazenda Lagoa do Triunfo está embargada pelo Ibama. "Os embargos incidem sobre apenas 7% da fazenda, logo 93% da mesma não possui qualquer impedimento", acrescentou. Ao todo, a fazenda tem 145 mil hectares.

Valor Econômico