jun 24 2019

Prime Cater procura sócio para erguer fábrica em SP


"O boi no pasto não fica parado. Ou engorda ou emagrece". Assim o empresário Marcelo Shimbo define o principal desafio da Prime Cater, companhia criada em 2013 para vender bifes já porcionados para alguns dos restaurantes e churrascarias mais badalados do Brasil.

Para não perder musculatura - e gordura, característica essencial para uma carne suculenta -, o empresário negocia com gestoras de fundos de private equity uma injeção da ordem de R$ 30 milhões para erguer uma fábrica no interior paulista. Assim, busca preservar a trajetória de rápida ascensão da empresa, que também vem avançando com as vendas pela internet da marca própria de carne, a 481.

Se bem sucedida, a captação almejada por Shimbo avaliará a Prime Cater em mais de R$ 100 milhões, montante expressivo para um negócio que até 2014 contava com apenas um cliente: a rede de restaurantes Pobre Juan, cujos donos foram sócios da Prime Cater nos primeiros anos de atuação. De lá para cá, a receita da companhia saltou de R$ 13 milhões anuais para quase R$ 90 milhões. Com a nova fábrica, o faturamento poderá atingir R$ 250 milhões em 2022.

"Já não é mais uma brincadeira tão pequena, e as taxas de crescimento são muito agressivas", disse Shimbo, durante uma visita da reportagem ao frigorífico onde a Prime Cater está sediada, no município de Louveira (SP), a 72 quilômetros da capital paulista (ver mapa abaixo). Alugada, a unidade da empresa deve ter a capacidade praticamente saturada em 2020, o que justifica a necessidade construir uma fábrica própria.

Com 87% do capital da Prime Cater - os outros 13% pertencem a funcionários -, Shimbo pretende vender uma fatia da ordem de 25% para atrair o novo sócio. A intenção do empresário é angariar os recursos até dezembro e, ao longo do próximo ano, construir a planta.

A ideia é que a nova fábrica fique próxima da região da atual para que a Prime Cater possa aproveitar a mão-de-obra treinada nos últimos anos. Atualmente, a companhia emprega aproximadamente 115 funcionários - a maior parte na área industrial.

Dos recursos que pretende captar, entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões serão investidos na nova fábrica. O restante será para reforçar o capital de giro e reduzir dívidas.

A nova unidade será capaz de produzir - em um primeira fase - 8 mil toneladas por ano, bem acima das 3 mil toneladas atuais. O espaço comportará uma expansão que permitirá a produção de 10 mil toneladas por ano, viabilizando um faturamento de cerca de R$ 400 milhões. Mas essa será a segunda fase - em prazo ainda não definido -, quando a empresa vislumbra fazer nova captação para dar saída ao sócio financeiro que pode ingressar neste ano.

Na primeira fase da nova fábrica, prevista para 2021, a Prime Cater pretende diversificar o portfólio de produção. Pelo planejamento de Shimbo, a empresa passará a oferecer aos restaurantes cortes porcionados de outras proteínas que não só a bovina. "Teremos porco e cordeiro", disse o empresário.

A diversificação do portfólio dará à Prime Cater a possibilidade de vender mais produtos aos mesmos clientes, disse Shimbo. A companhia tem atualmente uma base de 550 clientes, dentre os quais restaurantes como Mocotó, redes como Mania de Churrasco e hamburguerias como Lanchonete da Cidade. No Brasil, as vendas de proteína ao mercado de food service (alimentação fora do lar) giram mais de R$ 40 bilhões por ano, segundo cálculos feitos a partir de estimativas da consultoria Euromonitor.

Além de vender um leque maior de produtos por cliente, a ampliação da capacidade dotará a empresa de uma escala que a permitirá competir por clientes de fast food, inclusive na área de hambúrguer - a nova planta terá uma área grande para a fabricação desse produto.

De acordo com Shimbo, os equipamentos a serem instalados na nova fábrica ajudarão a diluir os custos, o que torna viável a venda de produtos a clientes de menor margem. Na atual estrutura, o peso da mão-de-obra no custo de produção de certos itens inviabiliza as vendas, disse.

Em lojas como as do Mania de Churrasco, mais parecidas com as redes de fast food, as margens são apertadas, exemplifica o empresário. A aposta, portanto, é que o maquinário da nova fábrica melhore a rentabilidade das operações da Prime Cater. Em outras palavras, a relação entre faturamento e número de funcionários tende a cair.

Na busca por melhor rentabilidade, Shimbo não abre mão da oferta de serviços que viabilizou o surgimento da Prime Cater. Ao porcionar os bifes, a empresa evita o desperdício nos açougues pouco produtivos e padronizados da área interna de cada restaurante - no Pobre Juan, a economia com a compra de carne foi de 15% no primeiro ano de parceira.

Outro diferencial é a oferta de consultorias, ajudando na definição do cardápio, o que também se traduz em economias. Em média, a carne representa um terço dos custos dos restaurantes com matéria-prima, conforme Shimbo.

Valor Econômico