jul 1 2019

BRF recebe oferta por parte de ativos no Oriente Médio


A BRF recebeu uma oferta da ordem de US$ 350 milhões (R$ 1,3 bilhão) por ativos no Oriente Médio, disseram duas fontes ao Valor. O Bank of America Merrill Lynch (BofA) assessora a companhia na operação, de acordo com essas fontes. Procurada, a BRF não comentou.

Ainda não há uma decisão sobre o tema, disse uma fonte, ressaltando que o negócio no Oriente Médio ainda levará algum tempo para ser definido. De acordo com uma pessoa a par do assunto, a Saudi Agricultural & Livestock Investment Company (Salic), gestora vinculada ao Reino da Arábia Saudita, desponta como uma das principais interessadas nos ativos da BRF no Oriente Médio. Nas negociações, a Salic é assessorada pelo Rabobank. Procurada, a gestora não respondeu e o banco informou que, "por questões de confidencialidade, não confirma e não comenta transações de mercado".

As negociações da BRF no Oriente Médio já estavam em curso há alguns meses e ocorrem de forma desvinculada das tratativas para uma fusão com a brasileira Marfrig, que seguem em andamento.

Em 10 de junho, durante evento em Campinas (SP), o presidente do conselho de administração da BRF, Pedro Parente, evitou dar detalhes sobre as discussões com a Marfrig, mas reforçou que a companhia segue em busca de parcerias na Arábia Saudita e na Turquia. "Em algum momento, essas coisas amadurecem e anunciamos, mas não estamos parados", disse na ocasião.

Conforme o Valor antecipou em 21 de maio, a companhia brasileira considera vender uma participação minoritária nos negócios de distribuição que possui na região e também na fábrica de alimentos processados em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos.

Na área de distribuição, a BRF é dominante nos Emirados Árabes Unidos, Omã, Kuwait e Catar. A posição da empresa nessa área foi construída entre 2012 e 2016, com as aquisições das empresas que distribuiam produtos da marca Sadia na região: Federal Foods, Al Khan Foods, Alyasra Food e QNIE.

Para adquirir esses ativos, a BRF gastou (incluindo a assunção de dívidas) cerca de US$ 430 milhões. Na fábrica de Abu Dhabi, inaugurada em 2014, a companhia brasileira investiu mais de US$ 160 milhões.

A venda de uma fatia minoritária no Oriente Médio deve ajudar a BRF a acelerar o processo de redução do endividamento e a cumprir objetivos estratégicos. Com um parceiro no Oriente Médio, a companhia brasileira pretende fortalecer a presença na região, ingressando na produção de frango na Arábia Saudita para deixar de ser apenas uma grande exportadora.

O movimento da BRF rumo ao mercado saudita é uma reação à política de substituição de importações que vem sendo implementada nos últimos anos pelo país. A intenção da Arábia Saudita é que, até 2020, a produção local abasteça 60% de seu consumo de frango.

Valor Econômico