jun 11 2019

Pecuaristas do MT pisam no freio do confinamento


O primeiro levantamento sobre a intenção de confinamento para 2019 no Mato Grosso, realizado em abril, aponta para uma queda de 7% em comparação ao número efetivo de animais enviados ao cocho no ano passado, informa o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Em relação aos dados de intenção de engorda intensiva apurados na pesquisa de abril de 2018, a queda é de 2,8%. Estima-se que sejam confinados 691.265 bovinos em Mato Grosso este ano, ante 743.805 bovinos levados ao cocho em 2018.

Segundo a pesquisa, a projeção de queda no número de cabeças confinadas em 2019 foi influenciada sobretudo pelas preocupações em relação aos preços da arroba do boi gordo e aos aumentos nos valores da reposição.

Todas as categorias de reposição registraram valorização no comparativo anual, com destaque para o boi magro, que apresentou aumento de 8,12% em relação a abril de 2018, de acordo com o relatório do Imea.

Apesar da maior cautela dos pecuaristas, a capacidade estática no Mato Grosso aumentou em 1,5% na comparação com outubro de 2018, para 947.190 mil animais.

Em relação à aquisição dos animais, a pesquisa de abril de 2019 mostrou que ainda faltavam adquirir no mercado 286.183 animais para se alcançar o número estimado para este ano, de 691.265 bovinos. Este número é maior em relação à pesquisa de abril de 2018, quando a aquisição de animais estava em 227.193 cabeças.

Mecanismos de proteção
Nota-se que ainda há muita incerteza em relação ao confinamento deste ano, principalmente com as cotações da arroba do boi gordo, segundo reforçam os pesquisadores do Imea.

No mercado futuro (bolsa B3), essa instabilidade fica evidente: nos últimos meses, o contrato futuro do boi gordo com vencimento para outubro chegou a R$ 160/@, mas, nas últimas semanas, as cotações recuaram para R$ 158,45/@.

“Trazendo este valor para a realidade mato-grossense, descontando o diferencial de base histórico de -11,75%, têm-se uma cotação de R$ 139,83/@ em outubro, valor 0,29% maior que a média do mês de abril de 2019. Se esse cenário se mantiver, pode ser que motive os pecuaristas ainda sem previsão a confinarem”, observa o Imea.

O relatório destaca a importância de se utilizar os mecanismos de proteção, como o contrato futuro na B3 e contrato a termo com frigorífico. No entanto, observa o Imea, o nível da utilização dessas proteções caiu ainda mais em relação a 2018, ficando em torno de 13,24%. Apenas 1% dos bovinos que serão confinados este ano já foram negociados através de contratos futuros na B3 e somente 12,2% das transações estão atreladas a contratos a termo.

Portal DBO