mai 6 2019

'Briga' de frigoríficos sobre habilitações para vender à China incomoda ministra


A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se disse "perplexa" diante das queixas da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) sobre a lista de 24 unidades de carne bovina que será entregue por ela ao governo chinês em busca de novas habilitações para ampliar as exportações do produto ao país asiático.

Segundo a Abrafrigo, a lista privilegiou JBS, que tem sete frigoríficos na lista, e Minerva, com quatro. Das grandes companhias brasileiras que lideram o mercado de carne bovina, apenas a Marfrig faz parte da associação. JBS e Minerva, além da própria Marfrig, fazem parte da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A Abrafrigo reclamou do critério imposto recentemente pela China no processo de habilitação, que prevê a apenas a participação de plantas autorizadas a vender para a União Europeia, cujas regras sanitárias são consideradas rigorosas. Mas, segundo Tereza, trata-se apenas de mais um critério, não o único que será analisado por Pequim para autorizar a ampliação do número de unidades aptas a exportar.

Na missão comercial à Ásia que terá início nesta segunda-feira - e que também inclui Japão, Vietnã e Indonésia - a meta do ministério é habilitar na China até 79 novos estabelecimentos brasileiros de carnes em geral. Em novembro, uma auditoria do serviço veterinário chinês visitou dez plantas brasileiras para ampliar o número de habilitações, mas alegou inconformidades técnicas e nada aconteceu.

Das 79 plantas que o ministério espera habilitar, 33 exportam para a UE. A ministra também negou que a exigência chinesa abra precedentes para negociações futuras.

"Quanto à nota da Abrafrigo fico meio perplexa com isso. Todos sabemos que a China vive hoje um problema sério com a peste suína africana, e há oportunidade e temos espaço para colocarmos mais nossas proteínas à disposição do governo chinês. Mas, para isso, temos que ter estratégia, conversa. Não é na primeira visita que vamos abrir para 300 plantas", afirmou a ministra em entrevista coletiva na sexta-feira passada, em Brasília.

Tereza lembrou que na aproximação com a China o foco não está apenas nas carnes, mas também em produtos como algodão, açúcar, melão, pera, material genético e farinhas. Participarão da comitiva que acompanhará a ministra à Ásia mais de 100 empresários, parlamentares e funcionários do ministério. "Estamos indo pra lá [China] para sentir o mercado. E temos que estudar estratégias de mercado".

Valor Econômico