mai 1 2019

Agronegócio precisa crescer com suas próprias pernas, diz Xico Graziano


“Tirar o Estado do cangote de quem produz”. A frase de Jair Bolsonaro na abertura da Agrishow, na 2ª feira (29.abr.2019), em Ribeirão Preto, reafirma o rumo liberalizante na economia. Os produtores rurais aplaudiram.

Chega de intervencionismo. Todos, em geral, concordam com a necessidade de reduzir o tamanho do Estado brasileiro. É bom na teoria, mas na prática o fim do paternalismo governamental incomoda a muitos. Será um duro aprendizado a um país acostumado ao clientelismo político.

Por muito tempo, incluindo a época militar, erigiu-se no país um sistema que promove incentivos e oferece subsídios aos agentes econômicos. Promover o desenvolvimento faz parte de nossa história e, reconheça-se, a estratégia cumpriu papel fundamental na formação nacional.

Acontece que o mundo evoluiu, o capitalismo se afirmou, os mercados se tornaram predominantes. Nesse contexto, reduzir o tamanho e modificar o papel do Estado passou a ser uma exigência da sociedade contemporânea.

A receita dos novos tempos, porém, desgosta quem sempre se beneficiou do governo. Cortar subsídios, retirar vantagens tributárias e abrir a economia –medidas necessárias para a retomada do crescimento– mexe com interesses arraigados. Tanto no campo quanto na cidade.

A somatória de subsídios e renúncias fiscais resultou, ao final de 2017, no insuportável valor de R$ 355 bilhões. Essa montanha de bondades, tão apreciada pelo governo Dilma Rousseff, levou o país à quebradeira. Fora a roubalheira.

Daquele montante, R$ 84 bilhões são subsídios diretos, dos quais cerca de R$ 15 bilhões (18%) se destinam de formas diversas ao setor agropecuário, incluindo apoio à agricultura familiar. Dá para mexer nisso? Aí é que a porca torce o rabo.

Todas as nações operam suas economias com algum grau de proteção estatal. Aqui está o desafio: estabelecer novos critérios para o apoio governamental. Pois a ninguém sensato passa na cabeça de que seja possível manter o sistema agigantado, e apodrecido, do intervencionismo estatal.

No agro, percebe-se claramente que uns querem, outros temem, o choque de liberalismo prometido pelo governo Bolsonaro. Acostumados a ter o governo como solução para tudo, os agricultores e suas lideranças se encontram inseguras com o futuro.

Chega a ser paradoxal. O apoio do interior fez diferença, especialmente no início da campanha, na vitória de Bolsonaro. Ninguém aguentava mais o petismo e suas estripulias vermelhas no campo. Havia muita insegurança.

Agora, quando o poderoso ministro Paulo Guedes sinaliza alguma medida liberalizante, o ruralismo mais tradicional treme. Tem medo das mudanças que eles próprios tanto defenderam.

É chegada a hora da maioridade do agronegócio nacional. Crescer com suas próprias pernas. Romper com o passado e promover uma renovação de suas práticas políticas. Se o governo não atrapalhar, já está bom demais.

A própria Agrishow é uma prova do sucesso da iniciativa privada. Iniciada há 25 anos com forte apoio público, tornou-se a maior feira de tecnologia agropecuária da América Latina pela força empresarial.

Esse é o caminho do futuro: menos governo, mais ousadia.

Poder 360