jan 3 2017

Exportação de sêmen amplia renda de produtores


O mercado de genética animal movimenta cerca de R$ 400 milhões por ano no Brasil. E, a partir do melhoramento genético dos rebanhos, muitos produtores têm conseguido, além de eficiência produtiva, uma chance de incrementar a renda das fazendas com a venda de sêmen e embriões para o exterior.

A fazenda de Amauri Gouveia, localizada em Avaré, interior de São Paulo, abriga 1,6 cabeças de gado Nelore. São bezerros, vacas, touros. Um plantel que vem sendo melhorado há 15 anos e que enche o fazendeiro de orgulho. Mas o caminho até conquistar o título de referência nacional em manejo e genética zebuína foi longo.

O primeiro passo foi participar de um programa de melhoramento genético para obter dados de diversas propriedades de todo o Brasil. “Para você ter ideia, em 2006, nossa propriedade abateu 600 fêmeas que não estavam dando resultado na fazenda. Para dar certo, você tem que ser aplicado, fazer uma prova com grupo contemporâneo real, não colocar manipulação nos números”, explica Amauri Gouveia.

Além da pecuária de corte, a fazenda sobrevive da venda de sêmen dos touros, que ficam em coleta em centrais de melhoramento genético. “Temos seis touros em centrais. Eles dão retorno e ainda têm essa coisa da chancela, de ser carimbado por um programa sério. Isso faz com que as pessoas saibam a procedência”, aumenta Gouveia.

Tecnologia

Os touros selecionados nas fazendas são levados para centros onde os animais são submetidos para coleta do sêmen para análise apurada de qualidade e sanidade. Em cada procedimento, são retiradas em média 500 doses. Material genético que chega, hoje, a pelo menos nove países. “Recebemos touros do Brasil inteiro, de todas as raças de leite, de corte. Fazemos a coleta de sêmen, o processamento, congelamos aqui e buscamos também os óvulos das vacas”, diz o diretor-presidente da Seleon, Bruno Grubisich.

Além da inseminação artificial, a tecnologia de transferência de embriões tem despertado muito interesse de produtores de todo o país. A produção começa ainda na fazenda, com a retirada dos óvulos que vão ser fertilizados “in vitro” podem ser preservados por até 200 anos. “Oito dias depois, ele retorna para as receptoras, que são as mães de aluguel. Isso é um divisor de águas na técnica, porque possibilita o mercado interno, as regiões mais afastadas e também o mercado externo”, aponta o veterinário responsável, Luciano Mundim de Carvalho.

Qualidade certificada

Toda exportação de material genético é acompanhada pelo Ministério da Agricultura, que segue um protocolo sanitário do país importador. Grande parte das certificações é dada pelos centros de coleta habilitados pelo Mapa, mas em muitos casos, as doses vêm para o Instituto Biológico de São Paulo, que tem o único laboratório do país credenciado pelo Inmetro para testes específicos de sanidade.

“Para certificar essas partidas de sêmen, as análises feitas no laboratório são: estomatite vesicular, leucose bovina, rinotraqueíte infecciosa bovina, e diarréia viral bovina”, destaca a pesquisadora do Instituto Biológico, Eliana de Stefano. “O resultado temos uma programação de cinco dias úteis, A capacidade do laboratório para um mês seria por volta de 12 mil amostras”.

Atualmente, os principais importadores de genética do Brasil são países de clima tropical da América do Sul, como Colômbia, Equador, Bolívia e Costa Rica. Panamá e Israel são considerados mercados promissores.

Para quem deseja entrar no mercado de venda de sêmen e embriões de bovinos, a dica é pesquisar bem. O presidente da Associação Brasileira de inseminação Artificial (Asbia), Sérgo Saud, destaca a importância de ser ter informações. “Como tudo o produtor, quem quer entrar tem que olhar o mercado para qual pretende vender. Conhecer as demandas do mercado internacional. Quer vender para a Colômbia? Qual é o perfil de touro que os criadores da Colômbia estão buscando? E oferecer esse produto. É bem nessa linha: conhecer o mercado que você está buscando e oferecer aquilo que eles querem”, completa.