mar 25 2019

Paraná pode antecipar a suspensão da vacinação contra Febre Aftosa


O Plano Nacional Estratégico de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) prevê a retirada total da vacinação no país até 2023. Para chegar a esse resultado, os estados brasileiros têm pela frente o desafio de superar o período de transição de área livre da aftosa com vacinação, até abolir completamente a aplicação da vacina no rebanho. O Paraná deve conseguir esse novo status sanitário em maio de 2021, quando será realizada a assembléia geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), antecipando em dois anos a meta estabelecida pelo PNEFA.

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) já solicitou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a suspensão da vacinação contra a febre aftosa após a etapa de vacinação em maio. Dessa forma, o novo status sanitário do Paraná poderia ser reconhecido em 2021 pela OIE. Auditorias já realizadas pelo Mapa, confirmaram que o Estado reúne condições, desde que cumpridos os ajustes solicitados pelo Ministério. De acordo com Otamir Cesar Martins, diretor da Adapar, todas as metas estabelecidas pelo Mapa devem ser superadas para que o rebanho paranaense atinja esse novo patamar sanitário.

Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul estão no mesmo bloco de estados que ainda imunizam os animais contra a aftosa, mas que devem eliminar a vacinação em breve. Grande parte das ações preventivas para evitar o aparecimento da doença tem início nas boas práticas de produção e manejo nas propriedades. É justamente essa a ação dos extensionistas do Instituto Emater na bovinocultura de corte e leite, atualmente estruturada em cinco projetos: Leite Competitivo Sul-Cantu, Leite Competitivo Norte, Leite Mais Arenito, Leite Sustentável Oeste e Leite Sudoeste Emater. Com essa iniciativa os técnicos do Instituto Emater orientam os produtores sobre boas práticas agropecuárias, manejo sanitário, bem-estar animal e recomendações sobre o calendário sanitário oficial com a vacinação obrigatória até a suspensão oficial. O objetivo maior é aumentar a produtividade do rebanho, mas também produzir matéria prima de qualidade e sanidade garantida. O sucesso dessa iniciativa se traduz em mais investimentos, empregos, aumento da renda dos produtores e fixação do homem no campo.

Em abril a Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) vai organizar seis fóruns no Estado, com o objetivo de informar a sociedade geral das consequências da suspensão da vacinação para a economia do Estado. O reconhecimento do Paraná como zona livre de febre aftosa sem vacinação pode colocar o estado em outro patamar global como fornecedor de proteínas animais. A partir da conquista deste novo status sanitário, o Paraná poderá buscar novos mercados que pagam mais pela qualidade da carne. Apesar da vacina contra a febre aftosa ser aplicada em bovinos e bubalinos, os impactos se refletirão em todas as cadeias de proteínas animal e vegetal, principalmente na avicultura e suinocultura, atividades nas quais o Paraná é referência nacional. De acordo com a Pesquisa Pecuária Municipal de (IBGE, 2017), o rebanho bovino do Paraná conta com 9,3 milhões de cabeças, em aproximadamente 170 mil estabelecimentos.

Fonte: Massa News