out 17 2018

Agronegócio no Triângulo espera se armar e ficar livre de multas ambientais


Empresários de uma das principais regiões do agronegócio do país parecem não ter dúvidas: a partir de 2019, se Jair Bolsonaro (PSL) estiver na Presidência, a vida no campo passará por uma guinada. Invasão de terras será tratada como crime; fazendeiros estarão armados e as multas ambientais serão abrandadas.

É essa a expectativa disseminada por produtores do Triângulo Mineiro, no oeste de Minas Gerais. O Triângulo é um tradicional polo de soja, milho, cana-de-açúcar e também uma referência nacional de melhoramento de genética bovina. Para o agronegócio no Triângulo, Bolsonaro é uma unanimidade.

"Ele é o único candidato dos últimos 20 anos que fala com a boca cheia que o agronegócio é importante para o Brasil e que defende enquadrar o MST por crimes de terrorismo", disse ao Valor o pecuarista Romeu Borges, presidente do sindicato rural de Uberaba e presidente do núcleo de sindicatos do Triângulo.

"Qual é o maior pavor do produtor brasileiro, qual é o maior trauma? Ter sua área invadida. Não porque sua terra é improdutiva, mas por ideologia", disse.

Só na cidade, a maior cidade da região, os produtores dizem haver atualmente mais de 50 invasões de terra e de áreas urbanas.

Wesley de Freitas, produtor rural e presidente da Associação de Produtores de Soja de Minas Gerais, diz que o candidato, líder nas pesquisas, tem prestígio também por sinalizar que mudará a forma como, segundo os produtores, autuações ambientais têm sido lavradas.

"Vai acabar com a farra da multa ambiental", espera o sojicultor que tem terras em Capinópolis (MG). "Tem um caso na minha cidade de um produtor com só cinco hectares que teve multa de R$ 1,9 milhão. E ele não fez nada. Multa ambiental virou brincadeira."

Os fazendeiros mineiros engajados na campanha do PSL dizem que o nome de um futuro ministro da Agricultura ainda é alvo de muita especulação. E quanto a uma das principais bandeiras de Bolsonaro, a de tornar mais fácil no país a posse de armas de fogo?

Esse é um capítulo que agrada especialmente seus apoiadores no campo. "Só de saberem que o produtor estará armado, vai cair a quantidade de invasão de terra e também a quantidade de assaltos às propriedades", disse outro produtor da região Renato Naves. No Triângulo, fazendeiros afirmam colecionar histórias de roubo de gado, assaltos a fazendas e sequestros.

Se o voto em Bolsonaro une os empresários do agronegócio, o candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, parece ser a opção dos empregados das fazendas, na visão dos produtores.

"A maioria dos funcionários é PT", pensa Vaner Vitor Pereira,que planta soja, milho e sorgo no Triângulo. Ele conta o caso de um de seus funcionários que sempre votou em candidatos do partido, mas que agora está com Bolsonaro. "Eu fui mostrando a realidade para ele. E tem a segurança do emprego. Bolsonaro perdeu, eu vou embora."

Antes de Bolsonaro, o voto dos fazendeiros do Triângulo Mineiro -assim como os de Mato Grosso, Goiás, São Paulo e os do Sul do país – ia em maioria para o PSDB.

Marconi Cherulli, um dos nomes de destaque da agropecuária e do negócio de genética bovina no Triângulo, conta que foi eleitor dos tucanos e que se decepcionou. A gota d’água foi a gravação de uma conversa do senador Aécio Neves (PSDB-MG) com o empresário Joesley Batista, que o político pede R$ 2 milhões.

No Triângulo, um dos interlocutores mais próximos da campanha de Bolsonaro é Antônio Jordão. Capitão de fragata reformado, ele conhece o candidato há mais de 20 anos. Jordão é consultor na área de gestão e tem repetido que a vitória de Bolsonaro vai provocar uma onda de novos investimentos no país. "Tem investidores prontos para entrar no Brasil, com a vitória dele", argumenta.

Fonte : Valor