ago 20 2018

Sem Keystone e com National Beef, Marfrig espera faturar R$ 40 bi


A Marfrig Global Foods, segunda maior empresa de carne bovina do mundo, que na semana passada, fechou a venda de sua subsidiária Keystone à americana Tyson Foods, deve alcançar um faturamento anual de R$ 40 bilhões, disse ao Valor o vice-presidente de finanças e relações com investidores, Eduardo Miron. Com isso, a empresa ultrapassa a BRF em receita, ficando atrás só da JBS, e se consolida como a segunda maior de carnes do Brasil.

Miron confirmou que a venda foi fechada por quase US$ 2,5 bilhões, como antecipou na sexta-feira o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. O valor do negócio ficou cerca de US$ 500 milhões abaixo do esperado pelo mercado, o que desagradou aos investidores. Com isso, as ações da Marfrig caíram 9,3% na sexta na B3 e o valor de mercado da empresa recuou para US$ 4,3 bilhões.


Segundo o executivo, o valor foi menor, sobretudo, porque a Marfrig permaneceu com uma fábrica de hambúrguer bovino nos EUA que fatura mais de R$ 1 bilhão por ano. Na avaliação de Miron, a unidade que a Keystone tem em North Baltimore (Ohio) é muito relevante. A planta, que tem o McDonald's como principal cliente, representa mais de 30% do faturamento da Keystone nos EUA e pouco mais de 10% das vendas da subsidiária no mundo. A Keystone também atua na Ásia.

Ao manter a unidade de hambúrguer e reforçar o foco em carne bovina - nos EUA, a Marfrig também controla, desde junho, a National Beef, quarto maior frigorífico do país -, a brasileira conseguiu uma avaliação considerada positiva. Segundo Miron, os US$ 2,4 bilhões dos ativos que foram vendidos implicam um múltiplo (relação entre o valor empresarial e o Ebitda nos últimos doze meses) de 10 vezes.

Na prática, a Marfrig receberá US$ 2,2 bilhões - descontando o que será recebido por minoritários da Keystone. Esse valor permitirá reduzir à metade a dívida líquida da companhia. Em junho, o endividamento somava US$ 4,2 bilhões. Com isso, seu índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) deverá cair de 4,2 vezes para 2,6 vezes, perto da meta de 2,5 vezes até o fim do ano.

Considerando as perspectivas positivas para o negócio de carne bovina da Marfrig nos EUA e também no Brasil - o dólar mais forte impulsiona as exportações -, a Marfrig pode reduzir a alavancagem ainda mais, disse Miron. Pelas estimativas do executivo, a companhia pode registrar receita líquida de R$ 20 bilhões a R$ 21 bilhões neste segundo semestre, com um margem Ebitda de 9% a 10%. Com isso, a alavancagem poderá ficar entre 2,2 vezes e 2,5 vezes, a menor entre os frigoríficos brasileiros.

Miron comemorou a "extração de valor" que a Marfrig conseguiu na Keystone. A subsidiária foi adquirida em 2010 por US$ 1,2 bilhão. O retorno sobre o investimentos foi de 135%, considerando os US$ 2,4 bilhões da venda, cerca de US$ 400 milhões que já haviam sido obtidos em 2012 com a venda dos ativos de logística da Keystone à Martin-Brower e US$ 60 milhões que conseguiu na venda de ativos da Keystone na Europa para a irlandesa Moy Park. O cálculo também inclui R$ 100 milhões que seriam necessários para erguer uma fábrica de hambúrguer como a que manteve nos EUA.

Ele disse que a Keystone foi vendida em um bom momento. Enquanto o negócio de carne bovina nos EUA está favorável, o frango vem sofrendo com a queda dos preços no mercado americano - fruto da maior oferta. "Saímos de uma indústria em que as perspectivas são um pouco mais fracas", afirmou. A expectativa é que a venda da Keystone à Tyson seja concluída em 90 dias, após a aprovação dos órgãos antitruste e da BNDESPar, segunda maior acionista da Marfrig.

Fonte: Valor Econômico