ago 21 2018

Melhora o cenário para a Marfrig


As ações da Marfrig subiram ontem 3,5% na B3, após a confirmação da venda da subsidiária Keystone para a americana Tyson Foods. E, assim, recuperaram parte das perdas observadas durante o pregão de sexta-feira, quando os papéis caíram 9,3%. O valor de mercado da empresa passou de R$ 3,9 bilhões para R$ 4 bilhões. Na quinta-feira, o valor de mercado alcançava R$ 4,3 bilhões.

A transação foi antecipada pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. O negócio foi fechado por US$ 2,4 bilhões, cerca de US$ 500 milhões a menos que o esperado pelo mercado, o que pressionou a cotação das ações na sexta-feira.

De acordo com análise do BTG Pactual assinada por Thiago Duarte e Vito Ferreira, mesmo com o valor de venda abaixo do esperado por analistas a "nova" Marfrig será a empresa com a menor alavancagem - relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) - do segmento e em posição de buscar um menor custo de capital.

"Com fortes margens esperadas no Brasil e nos mercados de carne bovina, em teoria o preço das ações ainda poderá subir mais de 40%", aponta o relatório.

Ontem, antes da abertura do mercado, o vice-presidente de finanças e relações com investidores da Marfrig, Eduardo Miron, ressaltou, em teleconferência com analistas, que a alavancagem da companhia, após a venda, poderá ficar entre 2,2 vezes e 2,5 vezes.

Neste segundo semestre, disse Miron, as perspectivas para os negócios da Marfrig são positivas. Segundo o executivo, a receita líquida da empresa deverá alcançar de R$ 20 bilhões a R$ 21 bilhões, e a margem Ebitda poderá ficar entre 9% e 10%.

"Não existe nenhum número da Keystone nessas projeções para o segundo semestre. O resultado virá mais forte devido ao câmbio, por questões sazonais e porque as operações tendem a ter uma performance mais robusta", afirmou.

Os resultados das operações remanescentes da Keystone - uma fábrica de hambúrguer bovino nos Estados Unidos que fatura cerca de US$ 300 milhões por ano - deverão ser incluídos no balanço da National Beef a partir de agora, afirmou Miron. A Marfrig controla a National Beef, quarto maior frigorífico dos EUA, desde junho passado.

"A gestão dessa operação, após concluído o processo de venda [da Keystone], ficará por conta da National Beef, que está baseada nos EUA. Isso vai fazer parte do nosso processo de integração. Vemos muita oportunidade de benefícios", disse o executivo.

O vice-presidente de finanças da Marfrig ressaltou que os ativos que foram vendidos implicam múltiplo (relação entre o valor empresarial e o Ebitda nos últimos doze meses) de 10 vezes. Na prática, a Marfrig receberá US$ 2,2 bilhões - descontando o que será recebido por minoritários da Keystone.

Miron acredita que a conclusão da transação de venda da Keystone para a Tyson poderá ocorrer ainda neste ano. "Não temos uma data exata. Acredito que faremos o processo o mais rápido possível. A transação da National Beef demorou 60 dias. Essa deve demorar um pouco mais".

Fonte: Valor Econômico