jun 18 2018

MT: avicultores se desesperam com encerramento de atividades da BRF


A notícia de que a BRF iria encerrar a produção de frangos, ovos e ração nas unidades de Campo Verde, em Mato Grosso, pegou a cadeia produtiva de surpresa. Com a decisão, cerca de 50 produtores que vivem exclusivamente da avicultura na cidade e são integrados à companhia estão preocupados com o futuro da atividades, já que a maioria se endividou para investir no aumento da produção.

Emocionado, o avicultor Adalir Mores falou com o Canal Rural sobre a preocupação com a sua fonte de renda. “Ainda parece que não caiu a ficha. Para quem ainda não alojou, vai ficar ruim e acaba até emocionando”, disse antes de ir às lágrimas.

A fala de Adalir revela a paixão pela atividade, já que a avicultura garante o sustento da família há duas décadas. “É difícil fazer outra coisa para trabalhar, pois fizemos isso a vida inteira. Terei que parar para ver o que vamos conseguir no futuro, o que vamos inventar. Mas já estou com a idade avançada”, disse o produtor, novamente chorando.

Adalir é integrado da BRF há 22 anos. Por causa da parceria, na pequena área de oito hectares, construiu quatro barracões com capacidade para alojar 60 mil frangos. Dois deles foram financiados e só vão ser quitados em 2025, com uma parcela anual de R$ 4 mil.

O avicultor também investiu outros R$ 15 mil na compra de um gerador, para garantir aquecimento e refrigeração às aves. Há duas semanas, ele recebeu o pagamento pela entrega de uma engorda e achou que tudo estava dentro da normalidade.

“Fui pego de surpresa, pois não esperava por essa decisão. Vamos ver agora se a BRF vai pagar as dívidas que tem que pagar, pois dizem que vão acertar mais um lote além do atual e acertar o que tem de dívida dos últimos seis meses”, completou.

Futuro incerto

Lúcio Oliveira Nunes é o único funcionário da granja, na qual trabalha há mais de dois anos. Quando o último lote de animais for entregue, no entanto, restará ao funcionário procurar outra atividade para sustentar a família que conta com a esposa e dois filhos. “Não posso parar de trabalhar, mas vai ser difícil achar outro emprego rapidamente. Essa é a única renda da minha família, que depende do meu trabalho”, lamentou.

A situação do avicultor Luiz Carlos Bol é ainda mais complicada, já que ele recebeu a notícia depois da entrega do último lote. Agora, ele está sem saber o que fazer com os três barracões com capacidade para alojar 60 mil frangos. “Foi um choque para todos nós, pois estamos com a estrutura toda montada para criar frangos e não temos outra coisa para fazer aqui. Acabou, infelizmente acabou”, disse.

Segundo a Associação Campoverdense de Avicultura (Acav), cerca de 280 granjas devem fechar as portas em campo verde por causa da suspensão das atividades da unidade da BRF. Juntos, os aviários produziam diariamente mais de 100 mil aves.

“Essa decisão da BRF ameaça toda a economia da cidade. O desemprego ameaça trabalhadores dos 280 aviários que atendem a empresa. Entre empregados diretos e indiretos, são mais de 500 pessoas que ficaram com o futuro incerto”, disse o presidente da Acav, Clodoaldo Lima.

Outro lado

Por meio de nota enviada à imprensa, a BRF salienta que vai manter no município apenas as operações de recebimento, beneficiamento, armazenagem e expedição de grãos. Já a produção de ração e a incubação de ovos serão deslocadas para uma região mais próxima às unidades de abate da empresa.

Quanto às aves que estão alojadas nos aviários instalados em Campo Verde, a informação é de que serão destinadas às unidades de Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. Em Campo Verde, a BRF emprega diretamente 130 funcionários, que – segundo a empresa – poderão ser realocados para as demais unidades do grupo no estado.

A BRF informa ainda que os termos contratuais vigentes serão honrados junto aos atuais integrados e que irá acionar todos os produtores da localidade nas próximas semanas para comunicar a decisão.

Fonte: Canal Rural