jun 12 2018

Greve e tabela de frete tiram o sono de produtores


A paralisação dos caminhoneiros e a crise do frete que veio na sequência foram pedras nos sapatos que os produtores não esperavam. A preocupação agora é como enviar ao exterior o volume recorde de 76,3 milhões de toneladas de soja, estimados pela consultoria Agroconsult.

Com o imbróglio em relação ao estabelecimento de frete mínimo para transporte rodoviário, as negociações continuam paradas. "Não tem negócio. Tudo parado desde a greve. Não sabemos onde vai dar", disse Dario Alexandre Schwambach, produtor de Ponta Porã (MS), após café da manhã com produtores da região na última etapa do Rally da Safra 2018.

A expectativa é que a terceira tabela de fretes seja divulgada nos próximos dias pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo o produtor de Dourados (MS), Rodrigo Pavel, desde a paralisação não são fechados negócios, e, com isso, o preço da saca já caiu de R$ 3 a R$ 4. "A gente viu até uma redução do frete da fazenda para o armazém, mas do armazém até o porto subiu de 40% a 50%", disse.

Segundo André Debastiani, da Agroconsult, ainda há soja nos portos para embarque, mas se a situação não for resolvida, o escoamento da safra de 119 milhões de toneladas de soja, conforme estima a consultoria, pode ser afetado.

Em meio às incertezas em relação ao escoamento da safra 2017/18 de soja, o produtor já se prepara para o ciclo 2018/19. Muitos já compraram insumos e fizeram vendas antecipadas da produção para cobrir custos.

Segundo o representante técnico da FMC na região de Cascavel (PR), Rogério César, o gasto com defensivos deve crescer cerca de 10%, reflexo da alta da matéria-prima na China. Com custos maiores e dólar forte, o grande risco para a safra de soja 2018/19 é cambial. "A maior preocupação é que o produtor monte uma safra com dólar a R$ 4,00 e colha a R$ 3,50. O que é uma realidade possível", disse André Debastiani.

A Agroconsult projeta soja a US$ 10,30 por bushel em Chicago. "Mas o valor em reais deve variar com o câmbio, e essa variável é incontrolável. Ainda mais considerando que ainda nem temos nomes dos candidatos à presidência", afirmou o consultor .

Fonte: Valor Econômico