jun 1 2018

Mapeamento do DNA do nelore leva à genoma que gera a qualidade da carne


Alguns avanços em pesquisas científicas conseguiram identificar regiões no genoma que controlam a expressão dos genes relacionados às características que causam uma melhor qualidade da carne na raça nelore. A partir deste estudo será possível realizar melhoramentos com mais precisão, no intuito de obter animais com desempenho zootécnico aprimorado.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos/SP), Luciana Regitano, a pesquisa conseguiu juntar a informação dos marcadores de DNA com a informação da quantidade de RNA de cada gene no músculo do animal. A conexão, de acordo com a especialista, permitiu elaborar o mapa do genoma da raça.

O estudo é considerado complexo, pois nem sempre estas características são visíveis no DNA. Aspectos ligados à qualidade da carne, como maciez e quantidade de gordura subcutânea, por exemplo, só estarão expressos se, em determinado momento, o DNA conseguir transmitir essa informação para que ela se torne “visível” no bovino.

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Raça nelore é a mais comum no Brasil e responde por 80% do rebanho bovino nacional (Foto: reprodução)
Os cientistas estão investindo na conexão de informações de diferentes origens para tentar descobrir esse mecanismo de transmissão. A grande lacuna são os fatores de regulação da expressão. “Quando foram inspecionadas as regiões do genoma que regulam os fenótipos (que mais contribuem para a maciez da carne, para a quantidade de gordura subcutânea, para a eficiência alimentar ou outras características visíveis), descobriu-se que não existem genes dentro delas”, explica Regitano.

A pesquisa busca mapear essas regiões, e é por isso que há uma importância tão grande na variação do fenótipo: para saber se o animal é mais ou menos produtivo. Em longo prazo a população será favorecida, pois terá acesso a uma carne mais macia e mais saudável, e os pecuaristas terão seus custos de produção reduzidos por meio da melhora na eficiência alimentar dos animais.

“O genoma começa a ser explorado e deixa de ser uma caixa-preta. O grupo agora tem condições de apontar a região específica do cromossomo que explica a diferença entre os animais”, afirma Regitano.

Fonte: Feed&Food