abr 5 2018

O fator estresse e o manejo sanitário e nutricional de gado de corte


Um importante componente, que tem impacto sobre o manejo sanitário e nutricional é o estresse. Animais estressados requerem manejo nutricional especial , enquanto que nutrição inadequada ou imprópria pode exacerbar os efeitos indesejáveis do estresse.

O estresse encontra-se associado com fatores tais como desmama, transporte, condições climáticas e surtos de doenças e o sistema imune pode ser negativamente afetado pelos seus efeitos no momento em que o animal é exposto a uma grande variedade de agentes infecciosos. A nutrição pode interagir com esses fatores primários, provavelmente como resultado de deficiências nutricionais ou devido à redução no consumo de alimentos associada com o estresse.

A redução no consumo de matéria seca e consequentemente de nutrientes em animais estressados, resulta na dificuldade de corrigir as deficiências nutricionais, o que concorre para comprometer a função imune e potencialmente exacerbar a susceptibilidade à infecção. Pode-se concluir, portanto, que a correta utilização de procedimentos sanitários e nutricionais pode prevenir ou minimizar os efeitos adversos do estresse (Nagaraja et al, 1998).

Animais estressados encontram-se sujeitos ao aumento da mobilização e excreção de minerais, incluindo cobre, potássio, cálcio, magnésio fósforo e zinco que, quando suplementados, aumentam o seu desempenho (Nockels, 1990).

Revisando os efeitos dos microminerais sobre imunidade em bovinos, Bull (1990) concluiu que as deficiências de zinco, ferro, cobre e selênio também resultaram em menor resistência à doenças.

Mais recentemente, pesquisas têm demonstrado que os microminerais cobre e zinco são requeridos em níveis elevados com o objetivo de aumentar a performance e resposta imune de animais estressados.

Em situações estresantes, tais como transporte, restrição alimentar e doenças infecciosas, tem sido identificado aumento na excreção urinária desses microelementos. Além disso, experimentos com camundongo sugeriram que a suplementação com cromo poderia prevenir as perdas urinárias de zinco, cobre, ferro e manganês induzidas por estresse (Shrauzer et al., 1986).

Chang e Mowat (1992) identificaram um expressivo aumento no ganho de peso e eficiência alimentar de bezerros suplementados com cromo nos primeiros 28 dias após a chegada no confinamento. Depois de 28 dias, foram também detectados redução na concentração sérica de cortisol e aumento na concentaração de imunoglobulinas . Estes dados sugerem que o cromo pode estar deficiente em certas dietas de animais estressados e possivelmente de animais em crescimento.

Moonsie – Shageer e Mowat (1993) confirmaram os efeitos benéficos da suplementação com cromo em bezerros estressados, resultando em aumento do ganho de peso, eficiência alimentar e imunocompetência.

A redução da morbidade, assim como o aumento do ganho de peso com elevação do plano de nutrição mineral, poderiam melhorar significantemente a eficiência econômica de sistemas de produção de gado de corte. A inclusão de cromo e outros microminerais em dietas de animais submetidos a condições estressantes, poderia reduzir o uso de antibióticos e possivelmente aumentar a efetividade de vacinas.

Fonte: Rehagro