mar 20 2018

Cana traz renda e futuro


As moendas das usinas de cana-de-açúcar começam a girar e espalham esperança de dias melhores, geram empregos, garantem renda e dão exemplo de sustentabilidade ambiental. A safra 2017/2018 promete demonstrar o vigor do setor e consolidar a importância desta cadeia produtiva tão virtuosa e motivo de orgulho para nós do Estado de São Paulo.

Neste ano, a colheita tem um ingrediente mais do que especial que abre ótimas perspectivas para os canaviais, a regulamentação do RenovaBio, assinada no dia 14 de março pelo presidente Michel Temer, em Ribeirão Preto, durante o seminário realizado pela Datagro.

O RenovaBio é uma das mais importantes iniciativas brasileiras para alcançar uma matriz energética mais limpa. Sua importância pode ser medida pela velocidade em que o texto foi aprovado na Câmara dos Deputados: apenas 12 dias. Além de ter sido aprovado por aclamação no Senado Federal.

Uma rapidez que tem toda razão de ser por se tratar de uma iniciativa essencial para o crescimento econômico do Brasil. Ele estimulará o investimento privado em biocombustíveis, induzindo a eficiência energética na sua produção e uso, e reconhecendo a capacidade de cada biocombustível promover descarbonização.

Esta construção foi elaborada com amplo diálogo com a sociedade civil e todos os setores econômicos envolvidos. Raras vezes se observou tanto apoio e convergência de diferentes setores da sociedade, inclusive com destacada atuação do governador Geraldo Alckmin em favor de sua aprovação.

A primeira safra colhida tendo o RenovaBio como uma realidade será moída em um cenário com muito mais confiança no futuro. Isso orienta e incentiva os investimentos. Passamos a ter um mecanismo que reconhece a eficiência energética e ambiental na produção sustentável de biocombustíveis.

Isso traz ganhos de produtividade e reduz os custos de produção e os preços aos consumidores. Esta inovadora legislação, sem subsídio, sem intervenção, e sem a criação de um novo tributo, vai trazer organização e eficiência. É por isso que a defendemos tão veementemente até sua aprovação e regulamentação.

Essa ideia agora realidade faz parte de uma visão estratégica para trazer maior eficiência para a energia em transporte, com veículos mais eficientes e emissões cada vez menores, e, mais importante, acessíveis aos consumidores.

A previsão da maior parte das empresas especializadas para a safra é de que ela atinja a moagem de 585 milhões de toneladas, queda de 22,14 milhões de toneladas em relação às 607,14 milhões de toneladas processadas na safra anterior.

Esta diminuição resulta, sobretudo, da ligeira retração na área disponível para colheita e da retração esperada na produtividade agrícola do canavial a ser colhido no ciclo 2017/2018 - de aproximadamente 1,5%. Esse recuo decorre da estagnação da área cultivada e da maior renovação do canavial com plantio de 18 meses.

Além disso, a projeção para a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana é de 134,40 kg na safra 2017/2018, contra 133,03 kg verificados no último ano.

Do volume total de matéria-prima a ser processada, a estimativa é que 46,99% deverão ser destinados à produção de açúcar. Com isso, a fabricação projetada é de 35,20 milhões de toneladas de açúcar, ligeira queda de 1,20% no comparativo com as 35,63 milhões de toneladas registradas na safra 2016/2017.

Esse cenário conta ainda com desafios a serem superados, como o aumento da produtividade agrícola, eficiência industrial e fortalecimento do cooperativismo e associativismo. É preciso também uma melhor gestão do canavial - incluindo smart farming, inovação em insumos e economia circular para garantir a sustentabilidade.

Necessitamos ainda de uma forte integração da pesquisa e desenvolvimento públicos e alianças com o setor privado. Nós da Secretaria de Agricultura e Abastecimento já demos um passo importante no dia 15 de março, em Ribeirão Preto, quando promovemos, no Centro de Cana do IAC, o simpósio "Integração da Pesquisa Pública com Cana-de-Açúcar no Brasil".

Reunimos especialistas de renome interessados em discutir temas como a situação atual e as perspectivas para o setor sucroalcooleiro, melhoramento genético e biotecnologia na cana e o sistema de produção atual e as novas tecnologias para a cultura.

Neste momento de RenovaBio regulamentado, a integração da pesquisa acontecendo e a característica vontade de trabalhar do nosso produtor, tenho certeza de que a safra 2017/2018 será umas das mais marcantes e promissoras para as moendas brasileiras.

Boa safra!

Arnaldo Jardim