fev 22 2018

Nossa agricultura preserva


A nossa produção agrícola brasileira ocupa menos de 8% do território nacional para alimentar o Brasil e parte do mundo. Isto agora está cientificamente provado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos, a Nasa. As mais recentes estatísticas da agência especial norte-americana só comprovam o que todo o setor já sabia: o Brasil utiliza apenas 7,6% de seu território com lavouras, somando 63.994.479 hectares.

Ou seja, não cabe (nem nunca coube) a crítica recorrente de parte da comunidade internacional e de alguns ambientalistas que afirmam que os "agricultores brasileiros são desmatadores". O Brasil preserva a vegetação nativa em mais de 66% de seu território; a Dinamarca cultiva 76,8% de sua área – 10 vezes mais –; a Irlanda, 74,7%; os Países Baixos, 66,2%; o Reino Unido 63,9%; e a Alemanha 56,9%.

A Europa, sem a Rússia, detinha mais de 7% das florestas originais do planeta. Hoje tem apenas 0,1%. Para se ter uma ideia, a soma da área cultivada da França (31.795.512 hectares) com a da Espanha (31.786.945 hectares) equivale à cultivada no Brasil (63.994.709 hectares).

A maior parte dos países utiliza entre 20% e 30% do território com agricultura. Os países da União Europeia usam entre 45% e 65%. Os Estados Unidos, 18,3%; a China, 17,7%; e a Índia, 60,5%.

As maiores áreas cultivadas estão na Índia (179,8 milhões de hectares), nos Estados Unidos (167,8 milhões de hectares), na China (165,2 milhões de hectares) e na Rússia (155,8 milhões de hectares). Somente esses quatro países totalizam 36% da área cultivada do planeta. O Brasil ocupa o 5º. lugar, seguido pelo Canadá, Argentina, Indonésia, Austrália e México.

Dada a importância do solo, literalmente a base da agricultura, nós da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo somos orientados pelo governador Geraldo Alckmin a apoiar o produtor rural que quer cuidar bem da terra e da Terra.

Por isso lançamos o Plano Estadual de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas Para a Consolidação de Uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC-SP), que consolida iniciativas de produção sustentável.

Nosso Projeto de Recuperação de Áreas de Grandes Erosões (Radge) subsidia em até R$ 15 mil por CPF as obras que o homem do campo precisa realizar em sua propriedade. Executada via Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), a subvenção já foi utilizada por 94 agricultores desde 2014, totalizando R$ 956.006,91 em investimentos.

Além disso, elaboramos o Boletim Técnico "Recomendações Gerais Para a Conservação do Solo na Cultura da Cana-de-açúcar" – trabalho conjunto da nossa pesquisa (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – Apta), extensão rural (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral – Cati) e defesa sanitária (Coordenadoria de Defesa Agropecuária – CDA).

E as iniciativas continuam na próxima semana, quando o Instituto Agronômico (IAC) sediará, em Campinas, entre os dias 26 e 28, um workshop internacional sobre sustentabilidade do solo – com foco principalmente na produção de bioenergia.

Nosso objetivo é entender os conceitos de sustentabilidade do solo envolvendo os aspectos químicos, físicos e biológicos. Será um evento para que integremos diversas perspectivas diferentes para colocar em prática os conceitos de sustentabilidade, além de fomentar a cooperação entre os cientistas que trabalham no Brasil e na Holanda.

As apresentações serão seguidas de conversa com o público para que as ideias circulem livremente em nome de um solo sustentável. É a pesquisa próxima da produção para gerar resultados cada vez melhores para a agricultura e o meio ambiente, que não podem mais ser tratados de maneira separada.

É a hora inadiável de cuidar do nosso solo!

Fonte: Arnaldo Jardim