fev 7 2018

Tendências para o mercado pecuário mundial


A projeção para a pecuária brasileira confirma que o crescimento do setor será positivo durante os próximos anos. No período de 2016/17 a 2026/27, a produção de carnes bovinas do Brasil está prevista para crescer 2,1% ao ano. Neste contexto, espera-se atingir 11.444 mil toneladas produzidas em 2027, com 20,5% de variação em relação a 2017 (BRASIL, 2017).

Diante do mercado internacional, o crescimento previsto para a produção brasileira é de destaque

Os principais países produtores de carne bovina são, respectivamente, EUA, Brasil, União Europeia (UE), China e Índia. Os EUA, China e UE permanecerão ocupando a posição de principais produtores em 2026, ainda que com crescimento produtivo aquém do esperado para os demais países listados na figura1. Dentre os quatro principais produtores, o Brasil será o único a crescer sua participação na produção mundial de 2026 em relação a 2017 (figura 2).

Estas perspectivas certamente contribuirão para a competitividade do setor brasileiro, ainda mais quando se observa que a demanda por carne bovina é crescente no âmbito global (figura 3) e com tendências de crescimento (figura 4).

A previsão de consumo mundial para 2026 está projetada para 75.931 mil toneladas de carne bovina. Este crescimento será condicionado pelo avanço populacional, tendo em vista que o consumo per capta permanecerá estável na ordem de 6,50 kg/habitante/ano, segundo dados da OECD (FARM NEWS, 2018).

Os principais países que contribuem para o crescimento do consumo de carne bovina são, respectivamente, Turquia, Egito, Malásia e Índia. Os países que contribuirão para a continuidade dessa expansão até 2026 serão Malásia, Arábia Saudita, Egito, Filipinas, Taiwan e Turquia, conforme exposto na figura 5.

Destaque para UE, Rússia e Ucrânia que reduzirão o montante consumido em 2026 em relação a 2017.

Em geral, os principais países consumidores de carne bovina são Estados Unidos, Brasil, China, UE e Índia. Apesar do menor crescimento de suas demandas, eles permanecerão ocupando esta posição em 2026.

A evolução do consumo de carnes ao longo do tempo estimulou a eficiência produtiva das propriedades agropecuárias. O rebanho bovino mundial cresceu cerca de 35% desde 1960, mas não demonstra variação expressiva no período recente (figura 7). Conclui-se, portanto, que o investimento em tecnologias e a intensificação do manejo foram os responsáveis pelo suprimento desta demanda.

O crescimento do setor agropecuário brasileiro nos últimos cinco anos ocorreu, principalmente, em função da produtividade, cujo crescimento foi de 4% ao ano. Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a produtividade brasileira é superior à média mundial de 1,84% ao ano.

No período de 1975 a 2015, a Produtividade Total dos Fatores (PTF) da agropecuária brasileira cresceu 3,46% ao ano. Isto é confirmado ao analisar que as áreas de pastagens do Brasil estão diminuindo desde 1995, enquanto que a produtividade do país é crescente, em torno de 3,8 @/ha/ano (ABIEC, 2016).

Além disso, o rebanho bovino brasileiro cresceu desde 2014, assim como o do Egito. Por outro lado, quedas ocorreram nos respectivos números de cabeças da Austrália, Ucrânia e China (figura 8). Nos países contendo os maiores rebanhos do mundo, não é prevista variação expressiva no comparativo 2017/2018.

Considerações Finais

Portanto, as perspectivas para o mercado pecuário são promissoras e estimuladas pelos investimentos em tecnologia e produtividade. O Brasil e o seu crescimento produtivo serão capazes de abastecer tanto o mercado interno, quanto o externo. Cabe à cadeia pecuária permanecer investindo no setor para suprir a alta demanda por carnes e garantir a abertura de mercados consumidores.

Fonte: Marina Malzoni / Scot Consultoria