nov 30 2016

Dificuldades extras para os exportadores de carnes do país


Em meio a preocupações com os impactos da depreciação do dólar sobre a rentabilidade das exportações, os frigoríficos brasileiros tiveram que lidar com dificuldades extras em alguns dos principais países importadores em outubro. Nesse contexto, os embarques de carne de frango e de carne bovina registraram queda no mês. A exceção foi a carne suína, cujas vendas continuam impulsionadas pela demanda de Rússia, Hong Kong e China.

No caso da carne de frango, o Japão foi o principal responsável pela queda das vendas, segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra. Isso porque o país, terceiro maior importador do produto brasileiro, compraram mais que o habitual em setembro e formaram estoques. No total, os embarques nacionais somaram 314,7 mil toneladas em outubro, 4,5% menos que no mesmo mês de 2015, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela ABPA.

Para se ter ideia do impacto do Japão, basta dizer que o país asiático reduziu as compras em 9,3 mil toneladas na comparação anual, quase 65% das 14,5 mil toneladas que deixaram de ser exportadas pelo Brasil. "O Japão importou muito em setembro e compensou em outubro", observou Turra. Em relação a setembro, quando o Brasil exportou 47,7 mil toneladas ao mercado japonês, as vendas recuaram 51,1%, para 23,3 mil toneladas. Em outubro do ano passado, foram 32,6 mil toneladas.

Além do desempenho mais fraco das vendas ao Japão, Turra também realçou a perda do ritmo de embarques para a China, segundo principal comprador da carne de frango brasileira. Ainda que na comparação com outubro de 2015 as exportações aos chineses tenham registrado crescimento de 48%, o embargo temporário imposto por Pequim a cinco abatedouros do Brasil teve reflexos negativos. A restrição, imposta em setembro, fez os embarques de outubro caírem 37% em relação ao mês anterior, para 30 mil toneladas. De acordo com Turra, as cinco unidades bloqueadas pelos chineses já enviaram os documentos necessários para retomar as exportações.

Se na carne de frango Japão e China afetaram o desempenho dos embarques, entre os frigoríficos de carne bovina o grande problema de outubro foi o Egito, que enfrenta um escassez de dólares. O país africano é um dos cinco maiores importares do produto brasileiro. As exportações para o Egito somaram apenas 6,4 mil toneladas em outubro, queda de 67% na comparação com setembro, segundo dados Secex. Na comparação com outubro do ano passado, quando as exportações a os egípcios somaram 16,8 mil toneladas, a redução chegou a 61,9%.

Para destravar as vendas ao Egito, o segmento conta com o sucesso das tratativas entre o país africano e o Fundo Monetário Nacional (FMI), com o qual o Egito obteria um empréstimo de US$ 12 bilhões. Considerando todos os destinos, as exportações de carne bovina in natura do Brasil somaram 83,4 mil toneladas em outubro, uma queda de 23,1% na comparação com mesmo período do ano passado, sempre conforme dados da Secex.