jun 4 2018

Encontro com coordenador da CODEAGRO reforça a importância das políticas públicas sobre a temática


O coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues recebeu nas dependências da FGV, o coordenador da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (CODEAGRO), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), José Valverde para falar sobre as perspectivas da Segurança Alimentar no País e no Estado de São Paulo. Na visita, Valverde aproveitou para entregar kits com publicações editadas pela SAA que reforçam a política pública sobre o tema.

Roberto Rodrigues é engenheiro agrônomo e agricultor, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, Embaixador Especial da FAO para as Cooperativas e Presidente da Academia Nacional de Agricultura (SNA). Foi professor do Departamento de Economia Rural da UNESP – Jaboticabal. Foi presidente do COSAG - Conselho Superior do Agronegócio da FIESP, da OCB - Organização das Cooperativas Brasileiras, da SRB - Sociedade Rural Brasileira, da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio e da ACI - Aliança Mundial de Cooperativas. Foi Secretário de Agricultura do Estado de São Pauto (1993/1994) e Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (2003/2006).



Confiram trechos da entrevista:



CODEAGRO - Na sua avaliação, como o Brasil pode se transformar em protagonista na garantia da segurança alimentar global?

Roberto Rodrigues - De acordo com a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE), nos próximos 10 anos a oferta mundial de alimentos precisa crescer 20% para que não haja fome no mundo. E segundo a mesma instituição, respeitada internacionalmente, esse aumento só ocorrerá se o Brasil tiver um crescimento de 40% na sua produção exportável. Esta perspectiva é justificada por três condições que nenhum outro grande país reúne: temos terra disponível, tecnologia tropical sustentável e gente capaz em todos os elos das cadeias produtivas.



CODEAGRO - Na sua opinião, quais as ações integradas que o governo e setor empresarial do agronegócio podem desenvolver com o objetivo de promover a segurança alimentar no País?

Roberto Rodrigues - Precisamos de uma estratégia articulada dentro do governo, entre os órgãos direta e indiretamente ligados ao agro, e em franca parceria com o setor privado. Só assim poderemos cuidar dos temas centrais da nossa competitividade, a saber: uma política de renda que modernize o crédito rural e implante um seguro digno do agro brasileiro; uma política comercial que amplie os espaços já conquistados, crie novo e agregue valor às commodities, por meio de acordos bilaterais com países ou grupos de países que sejam grandes consumidores; precisamos de investimentos em logística e infraestrutura; de mais recursos para inovação e tecnologia; de reformulação de muitas legislações que se tornaram obsoletas; e, enfim, de reduzir o custo Brasil.



CODEAGRO – Em relação aos aspectos regulatórios que envolvem o Produtos alimentícios, quais os avanços que o senhor julga importantes para promoverem segurança alimentar no Brasil, e em especial São Paulo?

Roberto Rodrigues - Precisamos de uma ampla discussão sobre este tema, sem ideologias, sem paixões e sem mentiras. Só com bom senso e equilíbrio poderemos criar um cenário digno para a segurança alimentar e, tão importante quanto isso, a segurança dos alimentos. Nosso, país tem espaço, para todo tipo de matéria-prima: alimentos orgânicos, tradicionais ou transgênicos. E, por conseguinte, a indústria alimentícia pode contar com variado suprimento de matéria-prima.



CODEAGRO - Qual é a importância em identificar os stakeholders para integrarem ações compartilhadas de fortalecimento da agenda de segurança alimentar e nutricional sustentável?

Roberto Rodrigues - O conceito a considerar é o das cadeias produtivas. Um alimento só estará pronto para consumo, se os cientistas que criam variedades novas de plantas e animais tiverem condições para isso, se houver adequado suprimento de insumos (fertilizantes, defensivos, sementes, máquinas e implementos, colhedeiras) , crédito, seguro, agricultores eficientes, regras de comércio, indústria moderna de alimentos e de embalagens, supermercados, etc. Em outras palavras, todos os atores de cada elo, de cada cadeia de produção é indispensável no planejamento estratégico.



CODEAGRO - Levando em consideração as diretrizes dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Quais as ações dos governos regionais que o senhor julgaria prioritárias para o fortalecimento da segurança alimentar?

Roberto Rodrigues - Na verdade, a estratégia tem que ser nacional. Mas o governo Federal não tem condições de implementar tudo o que precisa ser feito. Portanto, os governos estaduais, mais próximos e comprometidos com sua realidade, devem se aliar ao esforço nacional com as instituições que possuírem. A academia, as entidades representativas do agronegócio regional, a assistência técnica, a geração de tecnologia, o crédito e o seguro, além da logística, são elementos essenciais nessa parceria.